quinta-feira, 19 de setembro de 2013
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
Saudades....
Por incapacidade de continuar entalada, perco o respeito por breves instantes. Tenho direito de escrever isto, sobretudo quando sou apontada por não ter problema em criticar ou apontar… a verdade é que nunca consegui colocar ponto final onde pelo vistos, o ponto já está a demasiado tempo… e para minha própria leveza, dou motivos a esses apontamentos, criticas e tudo mais, e finalmente, falo, aponto, critico, e digo o que sinto sem pensar da dor, magoa ou qualquer tipo de sentimento que poderei provocar.
Dito isto, repito o que costumo dizer, não tenho que comentar mais nada, não tenho que esclarecer. É meu texto, meu desabafo, um momento mais duro passado para escrita, apenas e só
Saudades… do tempo que passou, do que eu já fui, do toque que já senti, do amor que já me saltou do peito.
Eu disse, há muito tempo, e disse com a mesma certeza que digo agora, passados estes, meses, estes anos… amor da vida, dó há um, e eu sei bem qual é o meu. Posso até gostar novamente, mas amar, na mesma dimensão, nunca!
Como venerei esse Ser, como delirei com esses olhos, como te amo bem cá dentro apesar de tudo e infelizmente…
Chega a ser sufocante, demasiado estranho, como carga de água é possível… continuar a amar mesmo tendo todos os motivos e mais algum para já ter deixado de sentir faz tempo.
Mas não, mágoas, dores, desapontamentos, tudo guardado cá dentro, acorrentado a mim, para que as cicatrizes fiquem apenas comigo.
Haverá amor maior??? Ficar entalada em dores nunca comentadas com o único objectivo de não ferir? De não ferir quem tanto nos feriu? Apesar de toda essa dor nunca falada, prefiro matar-me por dentro do que magoar quem me mata dentro, só porque o meu amor é absurdamente forte, incapaz de proferir essas dores acumuladas no fingimento que não viu, não deu conta e nem sentiu.
E pior é que continuo a ver cegueira nesse aspecto, pessoas que me magoam brutamente sem darem conta que estão a fazer isso, quando me atiram à cara que eu digo algo que magoa, quando na verdade, nada, foi o que eu disse comprado com tudo que tenho por dizer.
São tantos pormenores que se juntaram cá dentro, tantas dores que às vezes me apetece “atirar à cara”… sobretudo quando o contrário é feito, quando me é apontado o dedo, uma magoa que eu tenha causado, uma desilusão que eu tenha provocado, quando tudo isso é dito sem que a outra parte seja vista, quando tudo isso é apontado sem pensar no muito que eu tenho guardado para mim todo este tempo. Quando o “não entendo como é possível ainda estar perto”, ou “tive todos os motivos para já me ter afastado há muito”… chega a ser irónico, como se eu fosse aquela que só tem defeitos, que só causa dores, que não merece que alguém esteja perto, quando na verdade, eu tenho tantos ou mais motivos para criticar dessa forma sem nunca o ter feito.
Há um, o maior de todos, que ainda hoje, só de pensar, dá-me uma volta tamanha do estômago... um que me atormenta diariamente, sem exagero, porque me revolta até hoje ver isso vindo de quem vem… esse nunca perdoarei, independentemente de tudo que possa ou não vir a ser dito... fazerem-me sentir culpada, durante tanto tempo, aliás, foi-me dito frontalmente que a culpa foi minha por as coisas não terem dado certo, e depois de tanto tempo, mas tanto tempo, eu ter percebido que afinal, o problema não fui eu, mas sim, outra "traição" que em nada teve a ver comigo. Na mesma altura, exactamente na mesma altura, acusam-me de não ter dado certo por minha culpa, quando se regressa ao lar de onde se saiu uns tempos, porque supostamente a culpa foi minha, quando na verdade, foi o medo que outra pessoa tivesse coragem que mais ninguém teve, de passar das escuras para as claras! Isto levou-me a fazer no mínimo, meia dúzia de filmes, a partir dai, pus tudo em causa, e sim, a partir daí admito, mudei, e muito, porque a partir tornou-se impossível ver tudo que via na pessoa que para mim, aos meus olhos, era perfeita até em defeitos. Culpa minha, obviamente. E mesmo assim, com essa dor profunda, calei-me, até ao dia que não deu mais e mostrei que sabia, há já muito tempo, o que foi motivo de admiração por nunca antes ter tocado nesse assunto. E então? Pararam para pensar que como isso houve tantas outras dores guardadas só para mim? Tudo que senti esse tempo todo, calada, não conta? Não interessa? Onde estive eu esse tempo todo? Esquecida???? Como continuam a dizer que é melhor estar calada do que dizer algo que sei que vai magoar, quando viram que pelo contrário, eu calo-me muitas vezes SÓ para não magoar?!
Mesmo depois de perceberem que eu realmente sei estar em silêncio, dada essa prova, continuam no bate boca do eu mudei, eu magoei, não dá para entender como ainda se está por perto???? A sério??? E tirando esse pormenor, não terei suportado muito mais calada? Calei-me mais eu do que qualquer outra pessoa, mas ainda assim, o maior apontamento é “dizes as coisas sem pensar na outra parte, magoas, feres o coração de quem ouve, apontas, julgas”!!!!! Eu faço tudo isso ou quem me diz isso está a fazer-me exactamente isso?? Pois…
Pensando nisso dá um nó cá dentro… como é possível alguém falar-me nesse tom, como se estivesse a fazer caridade???? É pena que não sejam vistos todos os esforços que eu fiz para me manter perto também… enfim…
E ainda assim, ouvindo tudo isso, que se junta a todas as dores por explicar, com todo esse meu mal apontado, sem que a pessoa perceba o quanto magoa um coração já despedaçado por si mesma, ouço, engulo a revolta, a dor, a vontade de por uma vez fazer o mesmo que me fazem, uma, duas, três vezes…
E pior, ver que me magoam brutamente, tal como eu certamente magoei também, e ainda assim, sempre que tento aproximar-me ser recebida como se qualquer palavra fosse uma obra de caridade para comigo, como se eu não merecesse mas pronto, como se eu tivesse que penar muito para voltar a estar perto! Como se as dores que sinto não valessem de nada, porque o importante são as magoas que eu causo! Não basta a porcaria toda que se tornou o meu interior, ainda tenho de ver isso??? Quer dizer, magoada, frustrada, humilhada, desiludida, e ainda tenho de andar atrás porque eu não mereço essa tal presença?!?!
Numa coisa dou absoluta razão a uma frase que me foi dita “quem não te vê não te merece”, e cada vez mais acredito nisso, e na minha máxima convicção, convencida para quem quiser, chego à conclusão que não me merecem, e não o oposto. Dei de mim mais do que as pessoas mereciam, e agora limito-me a colher os frutos dessa inocência.
Se houvesse hipótese de entrarem no meu peito, de sentirem o que eu sinto, na dimensão que sinto, veriam o quanto eu tenho aguentado calada, fiel ao meu principio “o meu amor é maior, capaz de superar e sofrer em silêncio”.
Vejam ou não, tenho milhares de motivos para já ter desistido há muito, para ter deixado o coração esfriar, mas por outro lado, há algo maior, algo que vejo nesse olhar incrível, nesse sorriso encantador, algo que me mostra o porquê de ainda manter esse amor intocável, que me mostra o que eu vi… algo que sobretudo, me mostra que apesar de não ter sido parte da escolha, existe aí alguém fantástico, que infelizmente anda perdido em coração, por não ver quando acha que sabe tudo e vê tudo…
Posto isto resta dizer que sim, é verdade, amo como desde o primeiro dia, desejo como desde o inicio, porque não deixei de querer desde que tive, pelo contrário, só me fez desejar ainda mais.
Amo, esse alguém que foi uma tentação para mim, em todos os sentidos.
E não é menos verdade, apesar de cada vez custar mais, que um pormenor bom acaba por anular dezenas de maus porque o bem que vem desse lado é, como sempre foi, maior do que qualquer dor, qualquer mágoa, qualquer coisa mal resolvida, como as tantas que guardo dentro.
Quem me faz a pessoa mais feliz também me faz a pessoa mais infeliz…
E isto tudo, leva-me à primeira palavra: saudades… e agora muito directamente… saudades da pessoa que eras, do que eu sentia, do que me fazias sentir, da esperança inocente que um dia tive… saudades de sentir que não existia mais nada, que o mundo desaparecia, que nada mais era preciso. Saudades de me sentir completa, olhar em volta e não ver mais nada porque tudo que precisava estava mesmo à minha frente. Saudades de sentir aquela confiança que o tempo se encarregou de mudar, de sentir aquela segurança que se evaporou dadas as circunstâncias, saudades do que parecia ser, do que eu acreditava que era. E principalmente, saudades do que eras, como eras, do que via em ti, do que um dia mostraste, que com o tempo, tenhas ou não percebido, escondeste ou pior, perdeste. E sei muito bem porque isso aconteceu. Saudades de sentir o orgulho que sentia em ti, saudades de me sentir orgulhosa por ver-te tal como eras. Eu orgulhava-me de ti, tinha orgulho pelo que eras, como se fosses um pedaço de mim, eu via como privilégio estar perto de ti, via como um tesouro o teu coração…
Um dia disseste: aconteça o que acontecer, não te percas… pensa nisso, acho sinceramente que alguém se perdeu, em parte, e não fui eu. E digo-o convicta, porque vejo claramente isso em ti. Espero sinceramente que essa perda não tenha sido total e definitiva. E principalmente, que tu tomes finalmente consciência disso.
Que posso dizer, sou louca… e das poucas certezas que tenho, esta é uma delas: sei o motivo dessa loucura
Acho que resumidamente, o meu maior problema, o mal de todos os males, foi eu ter deixado o meu próprio Ser para ultimo, por achar que alguém merecia-me mais do que eu mesma
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