terça-feira, 22 de maio de 2012

Eu = Tsunami


Os ventos sopram embora o sol esteja repleto de raios que cegam até aquele que se diz impenetrável, o frio roça na pele mesmo que se esteja coberto até à cabeça e no entanto, o calor abafa os corações, os pobres corações…
Esses, que um dia pareciam grandes como o arranha céus mais alto do mundo, ou como aquelas torres que insistem em reconstruir…
Quem sabe, eles também foram alvos de ataques terroristas, ou até, de um bombista suicida que fracassou a principal missão, e que ao invés de destruir na totalidade, deixou os cacos espalhados e um conjunto de destroços que nunca voltarão a ser o que um dia foram, como aquelas ilhas que infelizmente, sempre que recuperam de um tsunami, aparece logo outra coisa qualquer que deita abaixo tudo de novo, mesmo na altura em que todos colocam as mãos para baixo e respiram fundo achando que finalmente poderão repousar-se, por todos os esforços até então, e que poderão ter o sossego que bem merecem… e é ai, nesse exacto momento, no momento em que se acabou de colocar o ultimo tijolo, que aparece a tempestade, e cai tudo novamente, com a diferença que agora, os que estiveram na luta estão mais cansados e com menos forças, estão de rastos por verem tanta dedicação e tanto empenho, de muito tempo, cair novamente em espaço de minutos.
É terrível, ver o trabalho que requereu tanto das pessoas, vir por ai abaixo, sem que nada nem ninguém o possa impedir, é como ver um filme de terror em que se adivinha o final mas mesmo assim, fica sempre aquela esperançinha de que as coisas não sejam assim tão previsíveis, e que assim, dê mais vontade de ver, porque enquanto houver hipótese de ser diferente, desistir não é opção…
E quando a esperança morreu? Quando a esperança estiver enterrada junto de todos os outros corpos? Ou até, quando as cinzas forem espalhadas por ai? E ai? Como é que vai ser? O que vai ser de nós? Gente fraca e desistente? Vamos enterrar-nos vivos só porque o medo se apoderou de nós? Vamos andar feito baratas tontas só porque não sabemos onde nos meter? Vamos enlouquecer só porque nos vemos aflitos e não sabemos o que fazer sem essa tal esperança?
Pergunto eu, não era melhor, não haver esperança? Assim não há o risco de a ver morrer, de a ver ser assassinada, estarei assim tão errada? Não seria melhor em vez de esperarmos, irmos já, cada um para seu canto, cada um cuidando da sua vida, cada um de bico calado porque caso contrario grande maioria é asneira? Não ficaria muito mais habitável o mundo em silêncio? Não?
Que se lixem as pessoas, os sonhos, o calor, o frio, as palavras, o mundo… que se lixem os esforços, os sentimentos, as atenções… que se lixem… um dia, ricos, pobres, tolos, vamos todos ter ao mesmo sitio, e dai, ninguém nos safa, ai, seremos todos iguais, a diferença é que muitos já se sentem assim em vida, mas depois, sentir-nos-emos todos iguais… ou não sentiremos…

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Jejum de escrita



Saiu sorrateiramente do meu jejum de escrita, não para falar directamente sobre alguém ou sobre algo, nem para ser particular a ponto de alguém levar a peito palavras como se fossem dirigidas a uma pessoa, quando no fundo, não o é…
Sei que há meia dúzia de pessoas convencidas que vão achar que isto é escrito para elas, que perdi tempo a escrever tudo isto para elas, sei que há pessoas que vão achar que isto sou eu a falar de mim e de outra pessoa, sei que serei mal interpretada e julgada, sei que vão achar que isto é claramente o que parece… mas sabem o que digo? Pensem o que quiserem, achem o que quiserem, digam o que quiserem… ESTOU-ME NAS TINTAS… eu tenho opiniões, vejo coisas, conheço historias e coisas do género, e ao contrário do que julga por ai, não falo só de mim, não falo sempre do mesmo…
Qualquer pessoa, por muito que ame alguém de verdade, acaba por se cansar de ficar em segundo plano, de não poder viver esse amor, de deixar tudo para trás para correr atrás de quem nunca fará esse amor como o principal, cansa-se de engolir ferozmente o que pensa para não magoar sentindo-me dias, meses, e até anos, quase a explodir, mas mesmo sufocando, prefere continuar calada só para não magoar. Engana-se quem pensa que é tudo dito, só porque num ou outro momento, se disse mais isto, mais aquilo, que seja menos bom. Qualquer pessoa cansa-se de calar, engolir, manter-se com dor dentro não a mostrando, quando depois, a outra parte, não tem problemas em magoar, em ferir, em atirar palavras duras, frias, que causam uma dor profunda sobre a pessoa. Qualquer pessoa tem os seus limites quando não se vê igualmente tratada, pelo contrário… aliás, qualquer pessoa que ama, a meu ver, é capaz de suportar a dor mais profunda e dolorosa que possa existir, sem deixar que a pessoa amada dê conta, simplesmente porque quando se ama, é preferível guardar toda e qualquer dor no peito, do que fazer a outra parte sofrer. Mas, quando uma pessoa chega a um ponto em que já não tem mais espaço dentro, em que o mau já transborda, em que já não é capaz de calar, de esquecer, de recordar todas as dores que leva dentro, e juntando a isso, ainda vê a outra parte carregar mais no peso, ser cruel, fria, sem qualquer problema em o fazer, então ai, ninguém consegue aguentar a carga, e pior que tudo isso, é ver aos poucos, lentamente, a pessoa que se ama destruir tudo que há de bonito, todo o sentimento mais puro e verdadeiro que existe…
Já imaginaram o que é… qualquer pessoa tem as suas falhas e momentos em que diz o que não queria, e com isso, acaba por magoar quem não queria… mas imaginem, guardar o que de pior têm dentro, só para não magoar, mesmo que se saiba que não devia ser assim, porque a verdade deve ser dita… mas quantas vezes prefere-se omitir as dores mais profundas só para não magoar! E quem guarda dentro, como resolve o seu interior? Quantas e quantas vezes se faz das tripas coração para não se ferir alguém, quantas vezes não se diz o que magoa imenso só para não magoar, quantas vezes se chora noites e noites a fio e nos dias seguintes, está-se de sorriso estúpido na cara fingindo que está tudo bem, só para que essa pessoa não se preocupe nem perceba que afinal, está tudo mal!?
A meu ver, as pessoas que julgam conhecer bem, saber de mais, que acham que têm tudo visto, que sabem o que não é dito, que percebem, são as que menos sabem, menos vêem…
Qualquer pessoa, por muito que ame, quando se sente alvo de todas as dores por parte de quem ama, quando sente que não é amada do mesmo jeito, quando sente que fez esforços loucos em vão de guardar as suas dores e essa outra pessoa não vê isso, não dá valor a isso, e ainda trata com crueldade, quando se faz de tudo para se estar bem com a pessoa, engolindo, esquecendo, pisando sentimentos, perdoando, não mostrando dores, sufocando-se em si mesma, e depois, de tudo isso, sentir que nada disso é visto, que nada disso é mutuo, que foi um esforço totalmente em vão, e pior que tudo isso, ver que a outra pessoa é que se acha vitima de dores, a outra pessoa é que se acha com motivos para maltratar, a outra pessoa é que se acha correcta, a outra pessoa é que tem motivos para se afastar, a outra pessoa é que se sente magoada e ferida, a outra pessoa é que tem todos os motivos do mundo para se sentir coisas más, sem ver a ponta de um corno, sem olhar se quer para a outra pessoa, não há por onde ir…
A pessoa que se acha altruísta, justa e correcta, acaba por ser a mais injusta, cruel e tudo que de mais existe, porque não vê nada para além do que pensa, do que sente, do que acha. E os outros? Não terão sentimentos? Não terão opiniões? Ideias? Valores?
Acho que até um amor, por mais sincero e verdadeiro que possa ser, quer relação, quer amizade, seja o que for, desgasta-se, cansa-se, tem limites. E o pior, é que acredito que amar-se desse jeito, após sentimento destruído, jamais se poderá voltar a amar…
Só quero que as pessoas pensem… só isso… até porque acho que pensar no que se lê, chegar-se à conclusão que isto ou aquilo de facto está errado, não é vergonha para ninguém e pode exterminar com muitos males… não seremos nós, TODOS, demasiado penetrados em nós próprios? Não achamos sempre que temos razão? Vemos realmente a outra parte? Dá-mos razão às outras pessoas quantas vezes? É que sinceramente, acho que não… vejo para ai tanta gente a achar-se dona da razão, a achar que está sempre certa, e no entanto, vejo que são essas mesmas pessoas que não percebem PATAVINA do que as outras pessoas sentem, o que as outras pessoas passam!
Ver pessoas a sofrer tempos e tempos seguidos, disfarçando a dor, só para ter mais um pedacito, só para não perder aquela migalhita, fazer da lágrima um sorriso só por causa do medo que a outra pessoa vire costas, calar sentimentos menos bons só para não magoar ou atingir outra pessoa, ter dores aos molhos dentro e não as dizer só porque se quer preservar a outra pessoa, ficar feliz com praticamente nada só porque se sabe que basta um minuto para que tudo pareça valer a pena, preferir largar tudo e todos e até a própria vida se isso trouxer segundos de atenção de alguém, ouvir o pior da boca de quem se ama e mesmo assim não mostrar a dor que isso traz só porque o medo de perder essa pessoa supera a própria dor e depois, não ter capacidade de se dizer nem uma pequena parte do que magoa, corrói, mata dentro, pelo mesmo motivo de quando se ouve e se cala… e depois? O que se ganha com isso? Ver a outra parte não ter problemas em mostrar todo o contrário? Ver a outra parte não dar valor, não tentar, não perceber, não SABER nada de nada? É para isso que se ama incondicionalmente alguém? Para esse alguém magoar, ferir, fazer carregar dores profundas pela incompreensão, desatenção, desinteresse? É para isso que se ama? Para andar tempos infinitos a coleccionar dores sem que elas sejam vistas? Para sufocar sem que ninguém veja? Para ouvir palavras corrosivas e fingir que está tudo bem? Pois para mim, no meu ponto de vista talvez demasiado sinistro, após tudo isso, a conclusão a que chego é demasiado simples: de nada adianta dar tudo por quem nunca daria tudo por essa pessoa, de nada adianta mostrar que se ama porque isso só faz ter magoas, de nada adianta achar que aquela ou aquele são isto e aquilo, perfeitos e tudo mais, porque não tenho dúvidas que serão os primeiros a nos tirar o tapete… a conclusão que chego, é que NINGUÉM merece um amor total, nem mesmo eu como é óbvio…
Acho que as pessoas se esquecem que tudo tem limites e que até um verdadeiro amor se cansa, e que chegado ao ponto em que a dor é demasiado forte, esse sentimento acaba por se transformar… pena de quem perde esses sentimentos, de quem deixa esses sentimentos terminarem, de quem não consegue valorizar e agarrar o que é seu, caso contribua com pequenas partes…
Ninguém é de ferro e ninguém merece um amor assim… não quando não se faz exactamente o mesmo pela outra parte… quando um comete várias falhas mas as assume, quando um prefere sufocar na própria dor do que dizer o que dói, quando um sente que é capaz de engolir tudo só para estar de bem e o outro, não tem problemas em ser duro, em usar palavras que espetam mais do que facas, que não tem problema em desprezar, em criticar, em apontar, em dar lições de mural, ou até, em achar que sabe, que vê, que percebe e a NUNCA assumir que não tem razão e que errou… que mais dizer?

Só posso dizer… que se dane o amor, que se danem as pessoas, que se dane o mundo…

E agora, falando de mim, num breve paragrafo, eu também estou de facto cansada… e confesso, tenho uma dor bastante forte cá dentro… por saber que estou a sentir coisas que não queria, por saber que estou a sentir coisas que sempre achei que nunca iria sentir, e principalmente, por estar completamente desiludida, magoada, frustrada, cansada, e mais e mais…

Uma coisa é certa, quem não está ai para mim, quem não quer saber de mim, quem me deixa, quem me despreza, quem não me cuida, quem não me dá o que eu mereço, quem não me dá valor, quem não gosta realmente de mim, quem não me dá a mão, quem não me compreende, não merece nada de mim, e é isso que vai receber de mim… seja quem for… porque quando se gosta, de verdade, não é uma palavra, um momento, um conjunto de palavras ou momentos, nem é NADA, que faz afastar e não estar, não cuidar nem tratar… se não precisam de mim, eu também não preciso de vocês… e etc…


Até agora, mostrei, corri atrás, tentei, não desisti, fui á luta, e modéstia à parte, acho que me sai mais ou menos… agora é a minha vez de ficar longe e esperar que quem realmente vale a pena e se interessa, venha até mim…




PS: NÃO ACEITO QUALQUER TIPO DE CRITICA OU COMENTÁRIO SOBRE ESTE TEXTO POR PARTE DE PESSOAS QUE EU CONHEÇO! PORQUE ESTOU FARTA DE VOCES TODOS