sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

O meu tesouro


Entre os vários sons que a minha audição alcança, existe um cujo tom é perfeito, como a mais bela sinfonia tocada, uma paz de espírito neste meu espírito já pouco sereno e com pouca esperança. Som belo, calmo, encantador, como o som das sereias que encantavam os navegadores (pelo que dizem por ai). Como é perfeito esse som e ao mesmo tempo, como é raro escuta-lo!
Apesar da distância entre tempo e som anteriormente escutado, esse som que faz o meu coração ainda bater, existe bem dentro de mim. Tiraram-me tudo, o tapete debaixo dos pés, mas esse som, ninguém foi capaz de me arrancar do peito, ninguém será capaz de conseguir tal proeza.
O dia que o deixar de ouvir, temo, o meu coração deixará de bater, no exacto momento em que o som se calar e o silêncio se fizer ouvir.
A pele eriça-se como se um arrepio de percorre-se a espinha velozmente, como se estivesse a tomar um banho de água gelada só que com a sensação de bem estar ao invés de mau estar, como se um anjo me falasse ao ouvido, me sussurra-se palavras que ainda hoje me congelam o sangue de lembrar.
Por mais voltas que o mundo possa dar, uma coisa é certa, esse som, esse fantástico som, permanece intacto em mim como se de um tesouro se trata-se. O meu tesouro, aquele que guardo com sete chaves, aquele que preservo mais que a própria vida, aquele que mesmo que aparentemente não me diz nada, nas costas, defendo como nunca defendi outra coisa, o meu tesouro perfeito, o tesouro que ninguém pode ousar tocar, nem em meras palavras, nem em pensamentos, porque nesse meu tesouro, ninguém tem o direito de chegar perto.
Posso até parecer indiferente a tudo, de certa forma até estou, a minha alma não tem mais estofo para mais do mesmo, para esperar e acreditar, para esperar e seus afins, mas ainda assim, nunca perderei as forças para defender o que valorizo desde sempre, mesmo que de frente me seja indiferente ou despercebido, nas costas, nem pensar, não há momento algum nem dor alguma que me faça por um único momento abandonar a minha própria defesa em relação ao meu precioso tesouro.
Aliás, para mim é igual ao litro ouvir vozes egoístas, vozes que falam sem saber, vozes que pronunciam palavras que se tornaram banais, é-me igual ao litro ouvir vozes falar de mim, dos outros, da vida, do que for. A única coisa que continuarei a nunca aceitar nem admitir é escutar vozes falarem desse meu tesouro belo, isso nunca.
Esse som, que agora se cala, que agora é mais silêncio, que infelizmente não me tem dado o privilegio de ouvir, continua a ser para mim, a coisa mais importante da vida, a coisa onde ainda busco forças quando parece não dar mais. Porque mesmo longe, o conforto que sinto por dentro continua bem forte, no sítio onde sempre esteve e de onde jamais sairá.
A menos que me façam uma lavagem cerebral ou que me cortem os pulsos, tudo está onde sempre esteve, tudo tem o seu sitio para estar, apesar da confusão que habita no meu peito, as coisas mais importantes estão organizadas, e mesmo que não as possa ter presentes por fora, tenho-as por dentro, porque felizmente na minha mente ainda mando eu, nos meus sonhos e vontades mando eu, mesmo que não passe de fantasias, sou eu e a minha maneira louca de ser.
Vejo muito, ouço muito, dou conta de muito, muitos andam cegos por uma ideia que metem na cabeça, outros há ainda que andam cegos por supostos sentimentos que o coração não sente, ainda existe aqueles que não conseguem ver um palmo à frente do nariz… mas no meio de tudo, há algo que reconforta o peito, saber que não sendo a melhor pessoa do mundo, tenho algo que muitos não têm, atenção. Atenção pelos detalhes, pelos pequenos pormenores, pelo que mais importa. Não fui sempre assim, pelo contrário, também eu andei cega muito tempo, mas por obra do destino, ou quem sabe, porque simplesmente aconteceu assim, ouve algo que me fez crescer, abrir os olhos, tornar-me mais ciente das coisas. Tenho um longo caminho pela frente, claro, estou muito longe de onde quero chegar, mas orgulho-me de mim e é de peito cheio que digo que hoje, felizmente, vejo o que muitos não vêem, apercebo-me das pequenas coisas belas que existem e que parece que mais ninguém vê. E principalmente, sei o valor que as coisas têm e o que merecem.
Não nego que o meu estado de espírito está em modo off, foram muitas as magoas, as desilusões, as esperanças frustradas de ser o que nunca fui para algumas pessoas, foram muitas as consequências do que o coração sente, mas mesmo assim, mesmo em modo off, mesmo não parecendo, nada me passa ao lado, nem mesmo um mosquito.
Sou agora, uma pessoa que absorva tudo e mais alguma coisa, e de uma maneira ou de outra, um dia jogo com tudo que tenho absorvido por agora.
Voltando ao começo do texto, sem sombra de duvidas, não é uma voz dentro de mim que me fala, é um som perfeito, lindo, mágico, que me reconforta nos piores momentos e que ainda hoje me faz sorrir com meros pensamentos, com meras recordações, que sei que não passarão disso, recordações de um tempo que não volta, de momentos que não se repetirão, de coisas que não voltarão a acontecer, mas que felizmente aconteceram, deixaram marcas, marcas belas. Tenho várias cicatrizes, mas tenho marcas maravilhosas que me orgulho de ter dentro de mim, e balançando as duas coisas, sem dúvida, valeu a pena cada passo, cada lágrima, cada derrota, cada pensamento, cada momento de desespero, sem dúvida valeu a pena ter vivido o que vivi e da forma como vivi, e se o tempo voltasse atrás, sabendo o que sei hoje, voltaria a fazer tudo igual, cometendo os mesmos erros, aproveitando os momentos como aproveitei, faria tudo tal e qual, uma cópia perfeita de tudo, sem tirar, sem por.
Percebi de forma dura que não adianta de nada correr atrás do que não quer ser meu, porque o que realmente é meu, encontra o caminho até mim. Seria o mesmo que tentar apanhar uma borboleta, ela acabaria por fugir, tal como me fugiu tudo que um dia achei poder vir a ter.
E esse som que me acalma a dor cravada no peito, é neste momento, a única coisa que me permite continuar a respirar, a única coisa que me resta, e por isso mesmo, ficarei eternamente grata a esse som que guardo dentro de mim, que me foi permitido guardar e fazer de meu, ao menos esse som… 

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Todo o tempo do mundo - Rui Veloso

 

Podes vir a qualquer hora
Cá estarei para te ouvir
O que tenho para fazer
Posso fazer a seguir


Podes vir quando quiseres
Já fui onde tinha de ir
Resolvi os compromissos
agora só te quero ouvir


Podes-me interromper
e contar a tua história
Do dia que aconteceu
A tua pequena glória


  O teu pequeno troféu
Todo o tempo do mundo
para ti tenho todo o tempo do mundo
Todo o tempo do mundo


Houve um tempo em que julguei
Que o valor do que fazia
Era tal que se eu parasse
o mundo à volta ruía


E tu vinhas e falavas
falavas e eu não ouvia
E depois já nem falavas
E eu já mal te conhecia


Agora em tudo o que faço
O tempo é tão relativo
Podes vir por um abraço
Podes vir sem ter motivo
Tens em mim o teu espaço


Todo o tempo do mundo
para ti tenho todo o tempo do mundo
Todo o tempo do mundo

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

The bangles - Eternal Flame


Close your eyes, give me your hand, darling
Do you feel my heart beating?
Do you understand?
Do you feel the same?
Am I only dreaming?
Is this burning an eternal flame?
 
I believe it's meant to be, darling
I watch when you are sleeping
You belong with me
Do you feel the same?
Am my only dreaming?
Or is this burning an eternal flame?
 
CHORUS (x2)
Say my name the sun shines through the rain
A whole life so lonely
And then you come and ease the pain
I don't want to lose this feeling
Oh, oh
 
Close your eyes, give me your hand, darling
Do you feel my heart beating?
Do you understand?
Do you feel the same?
Am I only dreaming?
Or is this burning an eternal flame?

Desilusões



"Meus olhos te seguem sempre,
Em todo lugar que estás,
Lá estou eu a olhar-te,
De repente vejo em tua imagem
Um sonho que findou.

Meus pensamentos te perseguem sempre.
Tentar esquecer-te é em vão
Tua
face está em todo lugar,
Teu sorriso, tua voz, teu olhar,
Me vigiam, me fazem chorar.

Enfim, eu estou em ti,
Vivo por ti
E deixo-lhe contigo ...
Sonhos perdidos.

Mas, um dia,
Deixarei de sonhar.
Vida triste esta minha,
Viver sem deixar de te amar."

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Você Não Me Ensinou a Te Esquecer - Caetano Veloso

Não vejo mais você faz tanto tempo
Que vontade que eu sinto
De olhar em seus olhos, ganhar seus abraços
É verdade, eu não minto

E nesse desespero em que me vejo
Já cheguei a tal ponto
De me trocar diversas vezes por você
Só pra ver se te encontro

Você bem que podia perdoar
E só mais uma vez me aceitar
Prometo agora vou fazer por onde nunca mais perdê-la
Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
E te querendo eu vou tentando te encontrar
Vou me perdendo
Buscando em outros braços seus abraços
Perdido no vazio de outros passos
Do abismo em que você se retirou
E me atirou e me deixou aqui sozinho
Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
e te querendo eu vou tentando me encontrar

E nesse desespero em que me vejo
já cheguei a tal ponto
de me trocar diversas vezes por você
só pra ver se te encontro

Você bem que podia perdoar
E só mais uma vez me aceitar
Prometo agora vou fazer por onde nunca mais perdê-la Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
E te querendo eu vou tentando te encontrar
Vou me perdendo
Buscando em outros braços seus abraços
Perdido no vazio de outros passos
Do abismo em que você se retirou
E me atirou e me deixou aqui sozinho

Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
e te querendo eu vou tentando te encontrar
Vou me perdendo
Buscando em outros braços seus abraços
Perdido no vazio de outros passos
Do abismo em que você se retirou
E me atirou e me deixou aqui sozinho

Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
e te querendo eu vou tentando me encontrar

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

HÁ QUE APRENDER A OUVIR ATÉ AO FIM E A NÃO TIRAR CONCLUSÕES ANTES DE TEMPO!

"A família jantava tranquilamente quando, de repente, a filha de 12anos comenta:
-Tenho uma má notícia. Já não sou virgem! Sou uma vaca! E começa a chorar convulsivamente, com as mãos no rosto.

Silêncio sepulcral na mesa! De repente, começam as acusações mútuas:

-Estava-se mesmo a ver! - diz o marido à mulher. É por te vestires como uma puta barata e arregalares o olho ao primeiro imbecil que vês na rua. Claro que isto tinha que acontecer, com o exemplo de mãe que a menina vê todos os dias!

Vai daí o pai aponta também para a outra filha, de 25 anos
- E tu também, que ficas no sofá a lamber aquele palhaço do teu namorado que tem é pinta de chulo, na frente da menina?

A mãe não aguenta mais e grita: - Ai é?!...E quem é o idiota que gasta metade do ordenado com putas e se despede delas à porta de casa? Ou pensas que eu e as meninas somos cegas? E, ainda por cima, que belo exemplo dás desde que assinas esta maldita TV cabo, passas todos os fins-de-semana a ver pornografia de quinta categoria e depois acabas na casa de banho com gemidos e grunhidos?

Desconsolada e à beira de um colapso, com os olhos cheios de lágrimas e a voz trémula, a mãe pega na mão da filhinha e pergunta-lhe baixinho:
- E como é que isso aconteceu, minha filha?

Entre soluços, a menina responde:
- A professora tirou-me do Presépio! A Virgem agora é a Luísa. Eu vou ser a vaca!!!!"

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

José Augusto - AGUENTA CORAÇÃO


Coração, diz prá mim
Porque é que eu fico sempre
Desse jeito
Coração não faz assim
Você se apaixona
E a dor é no meu peito...

Prá quê, que você foi
Se entregar
Se na verdade eu só queria
Uma aventura
Porque você não pára
De sonhar
É um desejo e nada mais...

E agora o que é que eu faço
Prá esquecer tanta doçura
Isso ainda vai virar loucura
Não é justo
Entrar na minha vida
Não é certo
Não deixar saída
Não é não...

Agora agüenta coração
Já que inventou essa paixão
Eu te falei que eu tinha mêdo
Amar não é nenhum brinquedo
Agora agüenta coração
Você não tem mais salvação
Você apronta
Esquece que você sou eu...


Coração, diz prá mim
Porque é que eu fico
Sempre desse jeito
Prá quê, que você foi
Se entregar
Se na verdade
Eu só queria uma aventura
Porque você não pára de sonhar
É um desejo e nada mais...

E agora o que é que eu faço
Prá esquecer tanta doçura
Isso ainda vai virar loucura
Não é justo entrar na minha vida
Não é certo não deixar saída
Não é não...



Agora agüenta coração
Já que inventou essa paixão
Eu te falei que eu tinha mêdo
Amar não é nenhum brinquedo
Agora agüenta coração
Você não tem mais salvação
Você apronta
Esquece que você sou eu...

Evanescence - breathe no more



I breathe no more

I've been looking in a mirror for so long
That I've come to believe my soul's on the other side
All the little pieces falling, shattered
Shards of me, too sharp to put back together
Too small to matter
But big enough to cut me into
So many little pieces
If I try to touch her


And I bleed
I bleed
And I breathe


Take a breath and I try to draw from my spirits well
Yet again you refuse to drink like a stubborn child
Lie to me, convince me that I've been sick forever
And all of this will make sense when I get better
But I know the difference
Between myself and my reflection
And I just can't help but to wonder
Which of us do you love


So I bleed
I bleed
And I breathe
I breathe no
Bleed
I bleed
And I breathe
I breathe
I breathe
I breathe no more

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Deixemos de ser água suja!!!









Num jeito tipicamente atrofiado, ou não seria eu a doida que sou, vou transpor a salgalhada que sinto, numa salgalhada bem maior, cujo sentido provavelmente só chegará a mim mesma… mas já é normal, só eu entendo o real sentido do que digo mesmo quando todos julgam que digo isto ou aquilo…

Posto isto, por agora talvez começando por algures que nem sei como definir, visto que não há começo, nem meio, e muito menos fim, não posso dizer que começo pelo início, começo simplesmente por onde agarro o primeiro pedacinho de ponta solta que dê para começar.

E nesta minha profunda mistela de sensações, emoções e incoerências interiores, resumo inicialmente tudo em palavras que seguem: PORCARIA, uma grande porcaria.
Porcaria ver amarelo onde só existe negro, porcaria encontrar o que não existe, porcaria ver o que é impossível ver, porcaria existir numa existência insignificante e desprovida de qualquer sentido real que não seja, esperar pelo fim que faça tudo ter inicio e fim, com meio totalmente dispensável.

Ohhh cachopa, não esperes nada dos fulanos que embriagam a tua vista com uma beleza interior de fachada, nem esperes nada desses príncipes disfarçados que no fundo são lobos maus, e principalmente, não vejas o que não existe, a maior barbaridade que congela os sentidos e faz doer todo e qualquer pedaço que se sente, é sem dúvida, a ilusão, a ilusão do ser, do achar que é, do querer, do achar que vai ser, que é, que blá bla blá… sim, é verdade, as maiores dores advém única e exclusivamente da ilusão que nós mesmos enfiamos brutamente na nossa tola. Ou por carência, ou por acreditar, ou por querer, ou por necessidade, o facto é que nos iludimos a achar que as pessoas são como as vemos, que as coisas são como queremos, que afinal é tudo lindo, e no fim, se é que há fim, percebemos isto, que afinal, as pessoas não são assim, nós é que as vimos assim, as coisas não são como queremos, nós é que acreditamos de tal forma que acabamos por esquecer de acordar, nós julgamos muitas vezes as coisas em função do que o nosso inconsciente quer, e acabamos cegos e iludidos, e quando a realidade se faz ver, PIMBA, toma lá, a ver se abres esses olhos que todos dizem ser grandes… que importa o tamanho? Afinal é bem o caso de que o tamanho não importa (sem perversidade), porque tenho olhos grandes (pelo que me fazem acreditar) mas ainda assim, continuo uma cegueta de primeira.
Venham aprender comigo, a serem cegos e a acreditarem, a esperarem o que sabem que não vem, a desejar o que sabem que nunca terão. Venham os deprimidos e ofendidos pelas pessoas que não compreendem, venham e juntem-se ao clube de pessoas parvas e cegas, como eu deve haver ao menos meia dúzia.






E andava ela, convencida do ca**** a dizer que aprendeu com as chapadas da vida, que agora é assim, é para acreditar, há que provar, é para confiar, há que merecer, é para estar perto, então mostra que queres e valorizas… e afinal de contas, a chavalita continua a fazer a mesma “shit” de sempre, ou seja, completamente obcecada pelo que quer acreditar que existe e completamente alheia ao que de facto existe.
Ohhh parolinha, porque não tentas enxergar tipo assim, dois palmos à frente do nariz, não mais que isso, já me parece suficiente e já basta para veres muita coisa que recusas ver porque te incomoda profundamente que nem tudo seja como tu queres acreditar que seja.
E o erro será meu ou dos outros? O erro é meu por acreditar no que quero acreditar ou dos outros por não serem o que eu quero que sejam? É claro que o erro é meu! Ninguém tem culpa de que eu espere isto ou aquilo, que queria isto ou aquilo, que acredite nisto ou naquilo, e muito menos, ninguém tem culpa que me desiluda por perceber que afinal as coisas não são como eu acreditava, porque no fundo, fui eu que acreditei, ninguém me apontou uma arma à cabeça, que eu saiba.
Dane-se o mundo e todo o povo que está nele, desde os racistas aos violentos, desde os depravados aos incompetentes, desde os maldosos aos terrivelmente estúpidos, desde os falsos aos aparentemente tudo menos o que são. 
Era tão mais fácil, mas tão mais fácil, se as pessoas fossem o que são e mostrassem exactamente isso, sem máscaras nem disfarces nem nada que possa ser semelhante, evitavam-se dissabores e sobretudo, evitavam-se criar mais e mais pessoas atrofiadas da cabeça como eu, que não conseguem entender a merda que muita gente é. (I’m sorry pela expressão).
Para quê? Pergunto eu sem obter resposta. Para quê parecer o que não se é? Para quê mostrar o que não se é? Para quer forçar ou disfarçar???? Why?Porque não ser como a água mais limpa, transparente? Mesmo que nos escorregue dos dedos e mesmo que ninguém saiba o rumo dela, a verdade é que toda a gente sabe que é água, que dá para beber, para tomar banho, para lavar as coisas, mas toda a gente sabe o que é e para que serve! Então, sejamos água! ÁGUA LIMPA, porque de suja já há em demasia








segunda-feira, 5 de novembro de 2012

SILÊNCIO... que a tresloucada vai falar... escrever


Silêncio, na voz que se cala mas que grita sem que ninguém a ouça, num sopro que ninguém sente e num ensurdecedor ruído silencioso.
Quieta neste canto recatado, pequeno, fechado, negro, mas em andamento a alta velocidade no interior das minhas próprias entranhas podres em conteúdo.
Rasgada numa plenitude que a vista alheia vê no simples olhar cego, porém, curioso, numa curiosidade de aparência e futilidade onde não entra mais do que peitos grandes e rabos arrebitados.
Louca por acreditar que os cegos possam um dia ver e que os surdos possam um dia escutar. Ver mais para além da própria existência e ouvir as palavras que o silêncio transporta em si mesmo.
Um dia, quem sabe, alguém dirá “ohhh, afinal aquela louca atrofiada tinha razão”, e eu, num assobio de ensurdecer direi em mente “mete a razão no *********”…


terça-feira, 30 de outubro de 2012

Confiança?


Será que o erro é meu por achar que confiança passa sobretudo por respeito pelo que é dito? Ou seja, diga o que disser, de quem disser, como disser e em que contexto disser, se o digo, é porque na confiança, tudo que é dito fica ali, entre quem disse e quem ouviu.
Será que realmente o erro é meu? Por achar que confiança passa por isso? Será que as pessoas andam demasiado cegas e não percebem que confiança é muito mais do que meia dúzia de momentos passados juntos? Que é preciso provas, que é preciso demonstrações?
E mais, será que também é erro meu ficar desapontada e magoada quando me ferem a alma com provas totalmente opostas ao que eu esperava? E será que também é erro meu esperar que essas pessoas, pela importância que têm, me mostrem que compreendem, que admitem que se fosse ao contrário não gostariam? E principalmente, que parem de achar que fizeram bem em trair a confiança?
O que me custa não é propriamente a parte de traírem a minha confiança, uma, duas ou três vezes. O que me custa, de chateia, me revolta, me dá cabo dos nervos, é ver essas pessoas agirem ao contrário do que era esperado, reagirem mal à critica, não compreenderem e ainda virarem o jogo, como se o mal fosse de todo o mundo menos de eles mesmos.
De que me adiante alguém dizer que me ama, que me compreende, que quer estar comigo, que posso confiar, que respeita o que sou, que está disposto a tudo, se de cada vez que mostro desagrado por algo essa pessoa vira costas, reage mal, atira à cara coisas que nunca tinha dito? Não era suposto essa pessoa preocupar-se em fazer-me ver que o acontecimento foi apenas um deslize que não pareceu errado no momento? Que compreende o meu ponto de vista? Não era suposto ser prioritário dar-te provas de que posso confiar ao invés de simplesmente amuar e achar-se cheio de razão? Não era suposto aceitar a verdade que digo e que tanto me é pedida em vez de ficar ofendido e chateado por lhe dar essa verdade? Não era suposto dar valor ao facto de lhe dizer directamente o que acho em vez de me atirar à cara de que não dou valor às coisas? Alguém que me diz que admira eu dizer o que acho no bom e no mau levar sempre a mal o que lhe digo quando é mau? Quer dizer, eu elogio o bom, valorizo, digo, dou conta, mas quando chega a parte má, só por eu a apontar, já não dou valor a nada, já não vejo nada do bom que se passou, já só vejo as coisas más?????
Não entendo, é isso que mais me chateia. Eu esperava apenas que me compreendessem pela importância que sabem que dou à confiança. Sempre disse que dizia o bom e o mau e sempre o fiz. Só esperava que as pessoas entendessem quando aponto o mau e que não me atirassem à cara que não dou valor ao bom, porque isso é de uma injustiça que não admito nem aceito.
Acho que quando realmente se gosta de alguém, se esse alguém nos diz de caras que ficou desiludida com alguma atitude nossa, a nossa obrigação é entender, respeitar, e tentar remediar a situação, e não andar a mandar bocas foleiras, a ficar chateado, a virar costas, e achar que a razão está sempre do nosso lado.
Eu não sou essa que dizem que sou quando a conversa está quente. Eu não quero e nunca quis alguém perfeito, eu não sou de não dar valor às coisas, muito pelo contrário, sempre disse o quanto certas coisas tinham valor para mim, o quanto as admirava. A única coisa que espero de alguém em quem confio e que me diz que faz tudo para estar bem comigo, é que esse alguém faça o mesmo que eu, valorize o que é bom e tente remediar o mau quando lhe diz respeito, em vez de me andar a ofender e a descer baixo. Acho que é o mínimo que mereço, ou que merecia, seja amigo, seja namorado, quando a ideia é confiar, se há algum motivo que mostre não poder confiar, a obrigação da pessoa é tentar emendar, é tentar esclarecer. Mas a mim, a única coisa que foi feita, foi dizerem-me que a razão não está do meu lado, que eu é que estou errada!
Depois ainda agem como se estivessem verdadeiramente chateados com algo que eu fiz?! Quer dizer, sempre que me magoam ou que me surpreendem pela negativa, em vez de tentarem resolver reagem super mal, e eu é que estou errada?!?! Quer dizer, foi a mim que me magoaram, que me atingiram, eu fui directa e sincera ao dizer isso, e em vez de tentarem esclarecer e fazer-me ultrapassar isso, preferem ficar amuados e virarem as costas, como se o erro tivesse sido cometido por mim?! Mas estão-se a passar ou quê?
Não percebo, não percebo como alguém em quem confiei tanto, sempre que me desaponta é capaz de descer tão baixo, dizer-me coisas que sabe que só me ferem, coisas injustas e amargas, e ainda achar que tem razão e que eu é que não dou valor a nada, quando a única coisa que espero é que compreenda e tente me mostrar o contrário do que senti no momento da desilusão… não entendo mesmo…
Não me venham dizer que eu não sou valor, que estou sempre a dizer que “não fazes nada”, que estou sempre a dizer que me desiludem. Eu apenas digo o que sinto, e o que sinto é que as pessoas por muito que digam que me entendem, não entendem. E quando têm oportunidade de provar tudo aquilo belo que dizem, limitam-se a deitar tudo por agua a baixo. E o erro continua a ser meu? Por ser sincera? Por esperar mais dessas pessoas? Por achar que vão tentar remediar a situação? Menos!

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Depois de cair, a única opção é levantar


Por agora só posso dizer
Que conheço o meu Ser
E conhecendo-o também sei
O que em diante serei

Serei aquela moça calada
Por lhe terem dado tanto bofetada
Mas também serei segura
Do quanto vale a minha postura

Para muitos uma coitada
Para outros uma que não vale nada
Para outros uma anti-social
Mas para mim isso é tudo historial

Porque não vou pelo que acham de mim
Muito menos quando acham que estou no fim
Se fui capaz de tantas vezes a morte interior aceitar
Também sou capaz de ressuscitar

E quando todos me julgarem vencida
Mostrarei ate à própria vida
Que o jogo só agora começa para o meu Ser
E que tem calcou é bom não aparecer

Porque se até agora me deixei ficar
Chegará a hora de me levantar
E após isso acontecer
Nada me poderá deter





Amo demais, apego-me demais, deixo-me fazer, calo-me para não perder, corro atrás, deixo que me calquem, humilhem, ouço calada, engulo para evitar chatices, dou ar de que nada me atinge, de que não quero saber, de que não vou à luta, de que prefiro nem tentar… aos olhos de quem na me conhece sou uma anti-social que não é nada e que não consegue nada… não tenho nada a provar a ninguém, mas um dia, que sabe, muito gente ainda vai engolir cada pensamento, cada palavra, e vão perceber que não aquelas que falam muito e que têm a mania que fazem, dizem, pensam, conseguem, não são mais que ninguém, e não é por ter muita treta que se faz alguma coisa… a teoria, é pura teoria, nada mais que isso.
“Um assassino não pensa no assassinato em voz alta”, no entanto, passa a teoria de pensamento para a prática…

Estou no chão, sim estou… mas deixem-me só levantar, depois de estar de pé, quem quiser que venha lutar contra mim…

“Comigo quem quiser
Contra mim quem conseguir”



sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Pushing Me Away - Linkin Park


I've lied to you
The same way that I always do
This is the last smile
That I'll fake for the sake of being with you


Everything falls apart
Even the people who never frown
Eventually break down
The sacrifice of hiding in a lie
Everything has to end
You'll soon find we're out of time
Left to watch it all unwind
The sacrifice is never knowing


Why I never walked away?
Why I played myself this way?
Now I see you're testing me
It pushes me away


I've tried, like you
To do everything you wanted to do
This is the last time
I'll take the blame for the sake of being with you


Everything falls apart
Even the people who never frown
Eventually break down
The sacrifice of hiding in a lie
Everything has to end
You'll soon find we're out of time
Left to watch it all unwind
The sacrifice is never knowing


Why I never walked away?
Why I played myself this way?
Now I see you're testing me
It pushes me away


We're all out of time
This is how we find how it all unwinds
The sacrifice of hiding in a lie
We're all out of time

This is how we find how it all unwinds
The sacrifice is never knowing


Why I never walked away?
Why I played myself this way?
Now I see you're testing me
It pushes me away
Pushes me away

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Caetano Veloso

Sozinho

 

Às vezes no silêncio da noite
Eu fico imaginando nós dois
Eu fico ali sonhando acordado
Juntando o antes, o agora e o depois
Por que você me deixa tão solto?
Por que você não cola em mim?
Tô me sentindo muito sozinho
Não sou nem quero ser o seu dono
É que um carinho às vezes cai bem
Eu tenho meus desejos e planos secretos
Só abro pra você mais ninguém
Por que você me esquece e some?
E se eu me interessar por alguém?
E se ela, de repente, me ganha?
Quando a gente gosta
É claro que a gente cuida
Fala que me ama
Só que é da boca pra fora
Ou você me engana
Ou não está madura
Onde está você agora?
Quando a gente gosta
É claro que a gente cuida
Fala que me ama
Só que é da boca pra fora
Ou você me engana
Ou não está madura
Onde está você agora?

Ela jamais te vai esquecer




Eis que chega o tão sonhado, aguardado e desejado. Esperança? Nenhuma… talvez por isso mesmo é que chegou esse grandioso acontecimento… desejado mais do que a própria vida, em cada sopro, em cada bater do coração, sonhado como sonho perfeito e inalcançável… isso era algo que não passava de um sonho, de uma imagem mais que perfeita, de uma fantasia que nunca ia ser realizada… isso era algo que não passava de algo desejado de corpo e alma, de coração, de pensamento, pró cara poro, por cada pedacinho de pele…
Era algo sonhado a cada noite, pensada a cada dia, mas cuja expectativa de acontecer era nula. E ai está, não havendo expectativa, a surpresa e alegria ainda se tornam bem maiores…
De volta ao inicio… eis que chega o tão sonhado… essa semana em que finalmente, ela poderá ser tudo, dar tudo, ter tudo, sem pensar em nada mais… as estrelas lá no céu não chegam a ter a beleza da pessoa que concedeu tal sonho, o mar não chega a ter nem metade do tamanho do amor que brota no peito dela, o mundo é demasiado pequeno para caber nele toda a alegria que ele lhe deu…
As borboletas que ela sentiu na barriga, meu Jesus santinho… isso é só de criança? Não não é, ela sentiu um monte de borboletas bem dentro dela, de cada vez que esperava, ansiosamente, pelo dia… a falta de forças que sentia no corpo todo, como se ele lhe tivesse sugado a alma, porque sim, a alma dela já não lhe pertencia, era dele, o coração dela já não lhe pertencia, era dele… e vistas bem as coisas, ele apenas ia receber tudo que era dele há já demasiado tempo, ia finalmente ficar com tudo que era dele, mesmo que esse ficar não fosse mais do uns dias, mas ia ficar com o que era dele…
Como as pernas tremiam, as mãos, como o coração acelerava, como a felicidade não cabia no peito! Ela só tinha medo de uma coisa: acordar. Sim, porque ela não acreditava, era bom de mais para lhe estar a acontecer, ela não queria que a acordassem desse sonho tão belo, tão perfeito, tão feliz…
E chegou o dia, o primeiro dia do resto da vida dela… entrou no carro que era conduzido pelo seu mais que tudo e seguiram viagem, para um mundo só deles, onde apenas eles entravam, em direcção a um sitio que nessa altura era só para eles, cujo dia era só para eles, cuja semana era só para eles…
É com misto de tristeza e alegria que se recorda de tal tempo… foi a melhor semana da vida dela, a mais intensa, a mais verdadeira, a mais pura, a mais tudo… nessa semana, pela primeira vez, sentiu-se verdadeira, sentiu-se completa, sentiu-se feliz, sentiu que finalmente estava no sitio certo, com a pessoa certa… não precisava de mais nada, qual Internet, qual telemóvel, qual outras pessoas, nada! Tê-lo a ele, ali, só para ela, poder passar o dia inteiro assim, só com ele, poder sentir que pelo menos ai, ela podia dar-se na totalidade como sempre desejou, e melhor que isso, podia tê-lo só para ela, naquele momento, naquele dia, naquela semana… ela realmente não precisava de mais, tinha tudo, mesmo ali, diante dos seus olhos…
Que semana maravilhosa, perfeita, inesquecível…
Já lá vãos uns anos, para não ser precisa nem entrar em pormenores que não interessam a quem não sabe deles…
“Sometimes I Think I’m Crazyyyyyy” (para ser mais clara)…
Tudo para responder ao porquê dela estar assim, a parecer mil e uma coisa, tipo indiferente ou sei lá mais o qeê, porque custa paletes de muito ver que uma nova semana está a acontecer, e não é ela que está com ele, não é ela que está nessa grande semana, não é com ela que ele vai partilhar todos os cadinhos do seu dia… e é inevitável recordar essa semana sem sentir saudade, sempre que uma semana assim chega…
Saudade, ciúme, tristeza, falta… dor, vontade, pensamentos…
Por um lado quer ser compreensiva, quer esquecer os pensamentos menos bons e egoístas, e espera de coração que tudo corra sempre pelo melhor, que ele sorria muito mesmo que ela não veja, que ele esteja bem e na plenitude dos seus, rodeado de amor e de quem lhe faz bem… mas por outro, a dor de não fazer parte, de não estar perto, de não ver… enfim…
Uma coisa eu sei… sei que ela, por muita porcaria que tenha na vida, hoje, amanhã, sempre, não interessa, pode orgulhar-se de dizer que teve uma semana em que esteve totalmente completa, totalmente feliz, numa felicidade que nunca mais poderá sentir, mas que ai, sentiu…
Pode até nunca mais sentir o gostinho de ter e ser na totalidade, mas pelo menos tem uma semana que define como perfeita, em que reforçou para si mesma a ideia de que jamais poderá estar assim com outro alguém, num outro sitio, porque aquela cumplicidade, aquele felicidade, aquele amor, só ali, só com ele, só assim…
Ela nunca mais vai sentir aquela coisa maravilhosa que sentiu bem lá dentro de si mesma, e isso custa, mas ter tido a oportunidade de se sentir assim, já é muito mais do que um dia poderia ter esperado.
É incrível como uma pessoa é capaz de tocar na alma de alguém, é capaz de fazer o coração sorrir, a felicidade alojar-se no peito, é como se não fossem duas pessoas, é como se fossem a continuação uma da outra, eram apenas um, na totalidade, na cumplicidade, na alegria, nas mil e uma coisas fantásticas…
Não há nem pode existir tal semana, tão completa, tão feliz, há no entanto essas recordações, da melhor altura da vida dessa miúda, que mesmo não tendo muito onde se agarrar, tem essa semana como a melhor semana da vida dela… com pena, sabe que nunca mais voltará a ter outra igual, pensar nisso provoca uma dor imensa, ainda para mais, sabendo que não está lá, não é ela que está lá, mas ninguém poderá apagar tudo que sentiu nessa semana…
Poderá nunca mais sentir-se assim, mas essa semana, fica no coração, como a melhor recordação de todos os tempos…
Porque com amor, tudo é mais belo, mais perfeito… não é preciso muito, apenas e só quem se ama, e acho que ai ela mostrou o quando amava esse menino… porque nunca se sentiu tão feliz e não foi preciso mais do que tê-lo perto dela…
Bata um olhar para sentir a cumplicidade que nunca mais encontrou fora dele, um sorriso para ver que nunca mais sentiu tanta felicidade a ver alguém sorrir… há coisas que não dão para explicar, mas quem sabe, quem sente, sabe tal e qual o que estou a dizer, assim espero…