sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

“Discordo daquilo que dizes, mas defenderei até à morte o teu direito de o dizeres”


10 Janeiro 2011

Evitei olhar para esta frase mas, passei-lhe a vista em cima uma catrafada de vezes…
Involuntariamente, inconscientemente, sem precisar forçar, veio-me sempre o mesmo à cabeça, e por isso, não consegui evitar pegar nela… é como um himen que me puxou e não desistiu até eu mesma ter desistido…
Bem, a ver se sou breve e com poucas voltas, no entanto, sincera… certamente me ficarei por uma pequena parte, mas para mim, uma pequena grande parte…
Sabem que após várias tentativas falhadas, acho que me vou limitar a repetir a frase “Discordo daquilo que dizes, mas defenderei até à morte o teu direito de o dizeres”… esperando que a mesma seja aplicada a mim tal qual eu a aplico…
Fico por aqui? Não, parece que não…
Não preciso de concordar com tudo que me é dito, tenho que respeitar, tentar aceitar, e se preciso, defender o direito de ser dito… afinal, se compreendesse tudo era perfeita, e eu, estou bem longe da perfeição… mas, quando chegar a minha vez, espero que esta frase venha à mente como flecha…
Não é por não concordar que sou eu que estou certa ou vice-versa, as opiniões devem ser recebidas e respeitadas, mesmo quando divergentes… e se tudo que passa da nossa ideia é errado, para nós, então o nosso ideal, somos nós e nada mais…
E isso não me parece nada certo… traçar uma linha ao nosso critério, o que é correcto para nós, o que e adequado, o que nos parece bem… e tudo que se desvie dessa linha criado por nós, está mal… isso não pode existir!
Estaremos assim tão cegos a ponto de nos acharmos assim tão perfeitos?
Lá porque para mim o ideal seja X, se alguém foge desse ideal, não é por isso que é menos merecedor.
Tal como tenho a minha opinião, a minha visão, o meu critério, os outros também têm… óbvio que para mim, o certo é o meu, não sou cinica a ponto de não o admitir… mas também sei que mesmo que alguém fuga do que para mim é certo, simplesmente tem uma visão diferente, mesmo que às vezes faça muita confusão, como faz…
Acho que somos demasiado criticos, demasiado rigorosos a impor as nossas regras, demasiado seguros do que é certo, demasiado cegos… acho que não podemos simplesmente esquecer que os outros também pensam, que também sentem, que também acham…
Tantas vezes não percebi pormenores em alguém, tantas vezes me pareceu estranho, injusto, sem justificação, tantas vezes me custou ver, tantas vezes me rebolei por não entender, por não achar certo, por não conseguir perceber mesmo que tentasse dia e noite, noite e dia… tantas vezes chorei sem entender, tantas vezes tentei peceber em vão… no entanto, mesmo que para mim seja quase na totalidade errado e não faça sentido, não julgo nem condeno, já foi tempo disso, não aponto ou digo ser mais ou menos merecedor de coisas como confiança e seus afins… não entendo mas respeito, tal como espero que façam comigo…
Eu nunca ansiei ser compreendida totalmente, por isso, não me irrito por não compreender os outros na totalidade… não fazia sentido…
Se me achar 100% certa, é porque estou 100% errada, não tenho dúvidas… o pior é que parece que pouca gente entende isto…
Se alguém tem ideias e ideais diferentes dos meus sótenho que aceitar, afinal, nem tudo é como queremos ou achamos melhor…
Por isso, mesmo discordando de muito, aceito, a grande custo, confeço… mas tantas vezes dei por mim a sentir que eram injustos comigo por eu ser diferente em certos aspectos, por A achar isto e eu achar aquilo, tantas vezes me desiludi porque alguém não percebeu o facto de eu agir assim ou assado porque esse mesmo alguém não achava certo, tantas vezes me custou ser alvo de “apontamento” quando fazia ou dizia algo que a meu ver era correcto ou não tinha nada de mal, mas aos olhos de outros não era assim… (Não digo isto como apontamento ou critica, são apenas exemplos para explicar o que queor dizer)…
Por isso calei tanta, mas tanta coisa que não percebi e ainda hoje me custa aceitar… exactamente para não cair no erro de cometer com alguém, coisas que a mim custaram o meu próprio coração…
Não julgo ninguém por ser diferente de mim, admiro quanto muito… o que não percebo, no minimo tento respeitar, afinal, somos todos diferentes apesar de muitas semelhanças…
O que parece certo para uns, é totalmente errado para outros, temos que aprender a lidar com isso, a viver com isso no dia-a-dia, não podemos simplesmente ignorar as coisas e singir-nos ao que nos parece bem ou mal, esperar o que não nos é dado nem o que nós mesmos damos…
Lá porque alguém fez algo que para mim foge do que eu penso ou acho correcto, não significa que essa pessoa é errada ou não mereça confiança, não é por isso que a devo julgar ou apontar… afinal, se ela é humana, tem opiniões e pontos de vista, e se os mesmos não são iguais aos meus, não faz deles totalmente errados… apenas diferentes…

I need more (06 Fevereiro 2011)


Como é desgastante a rotina, o dia-a-dia, tudo igual, dia após dia, noite após noite…
Eu simplesmente não sou como fui, estou farta, cansada de me contentar…
Não melhor que ninguém mas acredito que até hoje, nunca recebi o que realmente mereço, e o que é facto é que me cansei de levar a vida a contentar-me com as migalhas que são deixadas, à espera do que sobra…
Não censuro o mundo, as pessoas, a vida, censuro-me apenas a mim por ter dito amén tantas vezes, por me ter ficado, por me ter contentado assim, por ter visto sempre muito quando era realmente pouco…
Sempre disse que não quero muito, nunca tive grandes sonhos, grandes vontades, nunca sonhei alto como tanta gente… no entanto, nem o meu pouco querer me é concedido e eu, limitei-me até hoje a receber o que me é dado, e fazer do pequeno, a grande alegria… como se eu fosse uma pecadora sem direitos ou merecimentos, e que por isso, recebia como caridade, o que só por si, já não era muito…
Mas a verdade é que toda a gente chega a um ponto em que acha que é pouco, em que precisa de mais… eu preciso de mais, enquanto pessoa, enquanto mulher, enquanto amiga, enquanto tudo… metades já não são suficiente…
Por isso chegeui a esse ponto, de sentir que preciso de mais, de muito mais, porque o pouco, já não me chega…
Nunca tive nada que fosse 100% meu, nada que me pudesse orgulhar de ser meu e só meu, vivi até agora à espera do pouco e a alegrar-me com esse niquinho, mas já não consigo, e acho que ninguém me pode apontar o dedo por sentir que preciso de mais…
Não dá mais, não suporto mais, eu simplesmente preciso de mais, não consigo ter mais metades, porque eu não sou nenhuma metade…
Nunca quis ser o centro das atenções, nunca quis que dessem por mim, nunca pedi muito, aliás, nunca pedi nada, e talvez esse tenha sido o meu grande erro…
Mas sim, neste momento sinto que preciso de ser o centro de atenções de alguém, que preciso de algo só meu, que nõ posso continuar a depender de outros…
Preciso de me sentir amada, senhora do meu nariz, útil…
Não falo em nada em concreto, é bom que se note, não estou a pensar em A ou B, falo muito no geral, muito mesmo…
Quando recordo tudo que já ofereci de mim mesma sem pedir nada em troca, sinto que a vida foi cruel, porque mesmo sem esperar, mesmo sem qualquer interesse, merecia mais!
É injusto ser posta de parte assim, sentir-me tão inútil, sentir que nem muito, nem pouco, nem nada, neste momento é isso: nada.
Porque às primeiras escolhas, em tudo e em todos, eu sou sempre a última escolha, sempre…
E isso para mim já não dá mais, ponto final nisso, já não me basta…
Não quero ser a última escolha, quero sim, ser a primeira e única… se não o for, prefiro então, simplesmente não ser…
Não me quero sentir excluida, não quero sentir “na falta de melhor”, porque me sinto cada vez mais exigente não só comigo, mas com os outros, e quem quiser realmente estar comigo, vai ter que estar porque quer, porque eu sou a escolhida, e não por qualquer outra razão…
Quem me merecer, terá tudo de mim como até aqui, mas quem não me merecer, de mim, já não leva nada, até porque já tenho pouquissimo, e esse pouquinho, não vai ser desperdiçado em vão…
Sei que viverei eternamente à espera de ser a primeira opção, a querer ser a escolhida, se esse dia não chegar, as coisas ficam fechadas cá dentro… porque não faz sentido continuar a colocar do lado de fora coisas que não são entregues a quem não estiver comigo a 100%.
Quem estiver comigo por completo, ter-me-á sempre por completo, na mais fiel e sinceridade maneira do meu ser, quem me quiser por completo, se estiver por completo, pode esperar tudo de mim, quem me der confiança, também a terá de mim, quem me quiser a 100%, também me terá a 100%… eu, sou apenas e só de uma cara, de um corpo, de uma alma… mas esse conjunto, ou é entregue na sua totalidade, ou não é entregue…
Fui sempre muito contida, pouco exigente, nunca quis pedir mais com medo de perder o pouco, sempre me contentei com pouco com receio de o perder, preferi sempre abdicar d que realmente queria e ne fazia falta com medo de que o pouco me fugisse, como se só tivesse aquilo, e que remédio tinha eu… como se só aquilo podia ser meu, ou isso, ou nada…
Quis sempre dar tudo de mim mesmo sem receber nada, estive sempre pronta, até para quem não estava para mim, mesmo quando não era vista, quando ninguém aprecia ver a dor que carregava, escondi sempre a magoa e dor para poder estar mais ou menos bem, tentei sempre disfarçar da forma que me era possivel para poder estar o minimo bem possivel, estive sempre a lutar de dia comigo mesma, e só me descontrolava à noite, luta diária que neste momento, não me faz sentido… não faz sentido deixar de viver, de me por de lado, de tentar esquecer o que dói dia e noite, simplesmente para estar… alguém o faria por mim?! Claro que não!
Entreguei-me por complesto sendo sempre a última opção, e isso para mim, já não tem sentido…
Eu sou mais, muito mais que isso… tenho as minhas coisas estranhas, o meu feitio, os meus stresses, mas sou gente, tenho coração, e mereço muito mais do que me tem sido dado, muito mais…
Familia, amigos, amores perdidos, sejam todos, seja apenas um, de mim não podem é esperar o mesmo de sempre, porque eu não sou o mesmo de sempre… levei tantas chapadas que parece que agora, abri os olhos, e mesmo com toda a dor que isto me dá, mesmo a custar estar assim, mesmo sendo doloroso mudar, mesmo custanto toneladas recusar o pouco que na verdade, sempre me alegrou, a verdade é que não me sinto com capacidade de continuar assim…
Não retiro nada do que disse, tudo que me alegrou, alegrou mesmo, e viveria bem só com esses pequenos pedaços que me eram dados… mas, o futuro está à porta, o amanhã está ai, e sei que as coisas não podem ficar sempre assim… e para mudar, que seja já, enquanto o coração parece não ter mais espaço para mais nenhuma dor, como se estivesse tão carregado que já nada o poderia magoar mais…
Não estou só cansada do que não recebo, estou desiludida, desapontada, com as pessoas, com a vida, com as escolhas, com tudo… neste momento sou uma descrente, não acredito em nada…
Tenho consciência que estou mais dura, mais fria, mais cautelosa, que parece muitas vezes que “estou nem ai”… mas isso é consequência de ter aguentado sem questionar, de ter aguentado sem exigir, de ter aguentado calada, de ter esperado em vão, e estou realmente cansada de não receber nada do que mereço, estou farta de estar, de ser, de querer, estou esgotada e cansada de sentir que não posso esperar nada e mesmo assim estar pronta…
Agora mais que nunca, sou apenas para os outros, exactamente na mesma medida em que são e foram para mim… não posso dar tudo por quem não dá nada, nem dar nada a quem dá tudo… sou simplesmente, o que são para mim, mais não podem esperar…
Exigência era uma palavra desconhecida para mim, mas deixou de ser, preferia que continuasse a ser, mas infelizmente, o meu limite apareceu…
Não posso continuar fixada e aprisionada no simples contentamento… isso não só não é nada saudável, como faz muito mal…
Quero mais, muito mais… mereço mais, muito mais… e quem não estiver à altura de mo dar, também não terá isso de mim…
Não sou perfeita mas sei que ainda tenho muito para dar, sei que posso dar uma vida, sei que posso dar muito de mim, mas não dou, não a quem não merece, e muito menos, a quem não está disposto a dar o mesmo…
Para mim, simplesmente, chega…
Como é que posso amar incondicionalmente uma mãe que me procura apenas quando precisa e se esquece logo no segundo seguinte… um irmão que quando fala comigo é só para me dar na cabeça, para criticar, apontar e tentar deitar a baixo… amigos com quem posso contar apenas quando estão fisicamente, pessoas que ao fim-de-semana, à noite, e noutras distâncias semelhantes simplesmente não estão lá… pessoas que só podem apoiar nas horas em que me vêem… Isto são meros exemplos, nada mais que isso, só para explicar uma parte… o que é facto é que, ou conto com as pessoas sempre, 24 horas por dia, todos os dias, e eles contam comigo, ou simplesmente é melhor não contarmos uns com os outros…
A vida continua mesmo quando não estamos juntos, nas horas de distância se calhar é quando as merdas mais dolorosas acontecem e quando mais se precisa de quem achamos poder procurar… não há pausas, e se precisamos nas horas e que nos vemos, também precisamos nas outras… mas só poder contar em certas alturas, ver se é a hora certa para procurar, para pedir, para sentir apoio, não dá…
Para mim, mais que nunca, é tudo ou nada… estou cansada de sentir este vazio, esta angústia, esta dor…
Imaginemos, se sentir que posso contar com alguém, tem de ser sempre… se quando nos afastamos, é como se estivessemos em mundos diferentes, sem se poder contar, a ter que esperar que novamente nos encontremos para termos o que precisamos, como se não nos conhecessemos, como se cada um fosse à sua vidinha sem querer saber do outro, então não dá…
Eu quero poder contar com as pessoas a 100% ou então não contar, e espero que esperem o mesmo de mim, afinal, não exigo sem cumprir a minha parte, espero apenas, que a parte de outros também seja cumprida, caso contrário, não dá…
Ou se conta sempre, ou não se conta… não dá para se ser durante o dia e não ser à noite, ser à semana e não ser ao fim-de-semana… porque assim, nas alturas mais dificeis, em que realemente se precisa e se vê com quem se pode contar, estamos simplesmente sozinhos, porque não é a hora certa… esperar que se esteja junto para conversar e reconfortar o peito? Isso não faz sentido, precisa-se na hora, não é depois… e as dores, são vividas por nós, sem mais ninguém, sozinhos…
Para mim, ou sou tudo para quem me é tudo, ou não sou nada…
E isto serve para tanto, mas tanto…
Neste momento posso dizer que ninguém está ara mim a 100%, mas eu também não estou para ninguém a 100%, e acredito que muito dificilmente o voltarei a estar… mais uma vez, não falo em concreto, mas no geral…
Meio termo? Eu já não tenho meio termo, cansei-me de ser consciente, de ser certa, de ter tudo no sitio, cansei-me do meu termo…
Tanto ouvi que tinha que olhar por mim, de me valorizar, e de não aceitar menos do que mereço, que pronto, acho que aprendi a lição, da pior maneira, de forma dura, mas aprendi…
Preciso de mais, em relação a tudo… e quem não estiver disposto a isso, sabe onde fica a porta da saida…
As prestações são nos bancos, eu não sou nenhum banco, prestações já não me chegam…

Estado de Espirito (06 Fevereiro 2011)


Sinto-me perdida no mundo, neste meu canto escuro onde os pássaros já não cantam a melodia de outrora, onde as borboletas já são raras, onde o bom parece não querer entrar, onde todas as portas e janelas desapareceram, onde o sol não brilha e o sorriso parece não querer aparecer, onde o chão de pedra mais parece areia molediça, onde a água escasseia nas torneiras mas não nos olhos, onde o coração parece querer parar mas não para, onde a respiração é penosa e cada sopro faz desejar fechar os olhos forever, onde as árvores ficaram sem folhas numa tristeza arrebatadora, sem core, sen nada, onde as paredes se encontram revestidas de um negro pesado, onde mil pessoas passam mas a solidão dói, onde o mundo parece ter parado, onde os ponteiros do relógio parecem arrastar-se numa luta contra o tempo, onde tudo é pesado, mau e desprovido de sentido…
Assim me sinto, assim me tenho sentido, este é o meu estado de espirito.
Sozinha, hoje sinto-me sozinha, neste sitio que não reconheço, com estas pessoas que me são agora estranhas, esta mesa, esta caneta, esta letra, este computador, estas vozes, tudo me parece estranho e desconhecido…
O rosto que aparece refletido no espelho quando me ponho à sua frente… quem és tu? nem a ti pareço reconhecer…
Agira, hoje, neste momento, nestes dias, nada faz sentido, nada toda este silêncio, este ardor que queima o peito…
Tudo que estava do lado de dentro quis sair, nada quer entrar…
Aqui, neste recanto estranho e sombrio, sinto-me isolada, desanimada, dolorosamente sozinha…
Não vejo o que quer ver, não ouço o que quero ouvir, não sinto o que quero sentir…
Tudo se desmoronou e abateu sobre a minha cabeça sem que eu tivesse tempo de reparar na tragédia que is suceder… foi dada oportunidade a todas as outras pessoas, a mim, foi-me recusada… não me foi dada uma única, e isso, jamais passará ou se apagará da minha memória… quando a opção é escolher, eu fico de fora, quando a opção é virar costas, eu sou a opção, quando consciência faz escolher, eu fico para tras, quando o mundo cai, eu fico suterrada e esquecida, quando as flores crescem e tudo é bonito, eu estou sempre presente, agora, ao primeiro espinho que pica, eu fico logo atras, sem hipotese, sem escolha…
Sinto-me cega, surda e muda, diria até amordaçada e presa a esta dor… sozinha e esquecida… devorei o bom com medo que me fugisse, mas devorei-o de tal forma que ele acabou mesmo por me fugir… e agora?? Agora fico-me por aqui, neste mundo desconhecido, num corpo que não conheço, com uma alma ferida, com um coração desfeito e que ainda não parou porque o mero acaso assim não quis…
Quase tudo tem solução, mas um coração despedaçado deixa para sempre cicatriz… e o meu, bem sei, nem mil curativos o vão fazer ficar como já foi…
Podia ficar aqui e fazer disto um palácio, o meu palácio, e esperar que um principe me viesse salvar… o problema é que não sou princesa, não acredito em principes, e ninguém me quis salvar quando era tempo…
Tenho medo, receio, dor… não posso dizer que não tenho nada, porque afinal, tenho tudo isso… dói dentro, incomoda esta ferida aberta, que quando parece querer fechar, logo encontra mais uma faca pronta para a reabrir e de novo fazer ver, o quanto o destino é cruel…
Não me peçam para ver o lado positivo, porque simplesmente não o há, neste momento não…
Não tenho mais nada, por isso, deixo a porta aberta para quem quiser sair…
Eu não ia gostar de estar perto de alguém como eu, durante muito tempo, até a mim me incomodo, por isso, aceito que todos se vão embora… não questiono, não julgo, o pleno direito dá para isso, e eu não sou ninguém para esperar que não sigam o caminho que lhes convier mais…
Não tenho forças para me segurar, qanto mais para estar à altura de mais alguém…
Saiam, quem quiser pode sair… digo-o de plena consciência, não quero arrastar ninguém para este abismo no qual só me apetece dar um passo em frente, em sua direcção…
Sinto-me sozinha como nunca, uma solidão tremendamente desgastante, é a altura ideal para quem quiser saltar para o lado de fora…
Até porque neste momento, sinto que não posso contar com ninguém, mas sobretudo, sinto que ninguém pode contar comigo… e isso, não só não é justo para mim, como tabmém, não é justo para outros…
Não consigo mais, esta dor consome-me dia e noite, não consigo se quer disfarçar, e fui sempre tão boa nisso!
Podia fazer de conta, estampar um sorriso no rosto, disfarçar dia a dia, mas para quê? à noite volta tudo, nas pausas volta tudo, no meu canto volta tudo…
Por isso, muito sinceramente, quem quiser sair, que saia, quem achar que estou demasiado “pesada” e que não precisa de gente assim porque também está cheio de porcarias, que se vá embora…
Agora, quem realmente quiser ficar, se é que alguém o vai querer, só pode contar ver-me assim… sem grandes falas, sem grandes sorrisos, sem grandes coisas… eu já estive exteriormente animada vezes de mais para animar quem queria ver bem, chegou a hora de me manter tal como me sinto, e esperar, ver, e sentir o que os outros esperam de mim e são capazes por mim…
Posso chegar à conclusão que afinal ainda há gente que vale a pena, por quem deva fazer mais um esforço, ou posso simplesmente chegar à conclusão que ninguém faz por mim, o que espero e preciso… será uma conclusão que espero chegar muito em brave, e já não falta tudo…
Estou cansada de me levantar, de tentar erguer a cabeça, de tentar esquecer, de lutar, de tentar não levar o dia em função do que o peito diz, de tentar não focar o pensamento no que dói…
Acabou, estou rota, esgotada, sem pedalada nem energia para mais…
Pela primeira vez digo: não podem contar comigo, se contarem ver-me bem, ver-me sorrir, ver-me esforçar, ou mesmo, ver-me tentar… eu não quero, não posso e não consigo tentar mais…
As pessoas que gosto poderão SEMPRE contar comigo quando precisarem, na medida que me for possivel, sei que para elas, mesmo completamente desgastada, arranjarei sempre alguma força para estar o minimo possivel, mais que isso, não sei se sou capaz, e se quero ser…
Que isto não seja interpretado como uma desistência, isto pode sim, ser considerado uma baixa, porque fui para a guerra a sangue frio, e sai ferida de forma a que não sou capaz de ir para mais nenhuma abtalha, por muito pequena que possa parecer… fui derrotada, admito-o, rendo-me… tive adversários verdadeiramente fortes, e embora me custe mais que tudo, admiro-os mais a eles, do que a mim ou a qualquer outra pessoa, porque não foram inimigos, apenas lutaram, mantiveram-se sempre firmes, nos seus ideais e principios, não desistiram, mantiveram a cabeça sã, e hoje, ganharam não a batalha, mas a guerra, com enorme mérito…
Mas agora, não contem com a minha força, coragem ou determinação, porque ficou tudo para tras…
Se era forte como muitos dizem, também muitos se calhar não perceberam que até a pessoa mais forte precisa de ajuda… eu passei pela guerra de mãos a abanar, fui abatida e este, é o meu fim dentro…
Não dou mais luta, não tento mais, admito que perdi e dou louvor aos que ganharam, mereceram-no e isso, é tudo mérito deles… deles e de mais ninguém…
Sinceramente, não aguento mais nenhuma queda, já aguentei mais do que achei conseguir, mas foram demasiadas, agora chega, fico-me cá em baixo, assim não corro o risco de chegar ao 20º andar e voltar a cair, e desta vez, no meu próprio suicidio

Descrença dura e crua (10 de Fevereiro de 2011)


Desde que me conheço, acredito no que vejo, pouco ou nada mais que isso… sei que parece um extremo, mas a minha natureza foi sempre essa… e já lutei contra muito, mas contra a minha natureza não, nem pensar…
Agora, tenho dito que não acredito em nada, que estou descrente de tudo… é irónico não é? É irónica a vida…
Mas, não posso dizer isso! Afinal, se já não acredito, é sinal, neste caso, que acredito no contrário do que um dia acreditei, por isso, não é não acreditar em nada, é apenas, acreditar no inverso…
Às vezes dou por mim a desejar a ignorância e cegueira passada… embora ignorante e inocente, era bem mais completa… um completo para o vazio, mas não de todo…
Neste momento, restam-me recordações, mas não consigo viver apenas com recordações do que já não acredito… não me tem sentido.
Ponho-me a pensar no “não podes descrer de todas as rosas só porque uma te picou”… não posso? Quem disse? Claro que posso… chego à conclusão que é fantochada, nada mais que isso…
Como posso não descrer de todas as rosas quando a única pela qual colocaria as mãos no fogo me picou? Descri de todas menos dessa, e essa, foi a única que me picou…
Basicamente, pus a mão no fogo e queimei-me fortemente…
Descreio sim, de tudo, de todos, de A, B e C, deste e daquele, da rosa e do espinho…
Não sou capaz de fazer tudo que um dia fiz, aquele esforço desastroso de esquecer-me de mim, do que sinto, do que penso, do que quero, do que dói…
Sei que este sentimento de vazio, solidão e dor já se tem arrastado tempo demais, mas também sei que Aida tem muito para durar, e mesmo que abrande, jamais sairão as marcas que foram deixadas…
É injusto, cruel e desanimador relembrar, imaginar, pensar…
O problema nem é tanto não acreditar em nada hoje, é saber que amanha também não serei capaz de voltar a acreditar, e vida sem crença já é meio caminho andado para o tédio, revolta e desanimo, e o outro meio caminho, já percorri faz tempo…
Ou seja, parece-me que finalmente cheguei ao fim da linha, ao fim da minha linha.
Vistas as coisas, não pedi nada a não ser que não me acordassem do meu sonho, que me deixassem continuar a dormir, mas acordaram-me, e com isso, o fim do meu coração mostrou-se acelerado, forte e sem vontade de nada mais.
Estou cansada que tudo me caia em cima, estou farta que me julguem “costas largas”, “ombros fortes”…!
Não me neguem paz, não me podem negar isso também, depois de tudo que dei de mim, sobretudo, depois de não verem todo o bom, e limitarem-se apenas a apontar o mau!
Estou farta, cansada, e descrente, por isso, mais que nunca, quem não estiver bem, que deixe na beira do prato… afinal, já fui deixada lá tantas vezes, quando precisava de tudo menos disso… agora… agora é-me indiferente, estou indiferente com o mundo e com quem habita nele…
Só agora sei o verdadeiro significado de vazio, solidão e perda… neste momento, não tenho mãe, pai, irmão, amigo ou amiga, não tenho sorrisos nem vontades, não tenho sonhos nem desejos, sinto não me ter a mim mesma… sinto-me espectadora da minha própria vida… se é que se pode chamar a isto de vida…
Eu sabia que um dia tudo ia desmoronar, mas nunca se está preparado para esse facto, mesmo quando se sabe ser certo… e como não sou excepção, não estava preparada, e agora, não sei se hei-de conseguir aguentar…
A ver…
Sempre achei que muito se perdia porque as pessoas, no geral e num todo, complicam demais… pois eu não complico, não vou complicar, sinto-me morta por dentro, sem vida, sem alma, sem espírito, é doloroso mas simples, não tem por onde complicar… é como ir ao meu próprio funeral…
A vida pôs à prova muita gente, a maioria não ultrapassou as provas… eu calei-me, aguardei, assisti, vi, e agora sei o que não queria saber, sinto o que não queria sentir, e morri antes de conseguir o que sempre quis e nunca tive…
Será que sou normal? Às vezes dou por mim a tentar perceber a minha própria opinião, perceber se concordo, e porquê! Penso nas coisas, e não consigo perceber se concordo, se não concordo… como essa cena eu disse acima do “podes descrer de todas as rosas só porque uma te picou”… há dias que acho concordar, outros já discordo totalmente… em que fico???
Devo ser realmente louca… embora o diga muitas vezes, tinha algumas dúvidas, mas começaram a dissipar-se aquando da minha morte interior
Sou louca, agora mais que nunca sei, sou literalmente louca

Um dia (texto escrito em 30 de Março de 2011)



Um dia… sim… um dia… o meu coração não chorará mais lágrimas invisíveis para aqueles que não o cuidaram, os olhos não mostrarão a dor carregada no peito, a amargura, a revolta… um dia, o meu cansaço extremo deixar-me-á num descanso completo, pleno, livre, onde nada entra, onde ninguém entra… esse mesmo descanso não será solitário, não será solidão… solidão é o que carrego comigo nesta minha curta existência há já tempo demais… um dia, a minha boca fechar-se-á definitivamente, e o que ontem era, o que hoje é, nesse dia, não será… um dia… sim… um dia… um dia a luz do dia, o brilho dos olhos há muito perdido e impossível de recuperar, o sorriso verdadeiro, nada disso será recordado ou esquecido, será apenas, parte do cenário do que não foi o que não é, nem dói o que é… um dia, os meus sonhos calar-se-ão num imenso silencio há muito adivinhado, há muito desejado… um dia, o sol não nascerá, e não, não será por ser Inverno de Estação, mas Inverno de espírito, numa congelação soberba de todos os sentidos, de todos os sentimentos…um dia, não chamarei nomes que o vento faz questão de levar para parte incerta… um dia, não sonharei acordada um sonho adormecido que tarda mostrar a sua real face… um dia, o desejado, o amado, o sentido, nada fará sentido, porque eu não existirei mais… um dia, belo dia esse, em que as mãos não tocam, os olhos não vêem, o peito não ama… um dia, a ilusão não mais existirá, nem a desistência voltará a parecer covardia… um dia, o que hoje faz sentido, já não fará, e o inverso, sei que sim… porque um dia, espero não muito longe, eu serei pura e simplesmente um nada fora, como há muito sou dentro, sem alma, sem corpo, sem espírito, nada ficará… e a lembrança, essa também acaba por se esvanecer ao raiar de um novo dia, mais belo, mais atraente, com mais luz do que toda aquela que eu fui capaz de dar, até este dia… um dia, a paz vai aparecer, não muito longe, espero e sinto-o, e esse dia, é o meu único desejo, o meu único sentido de sobreviver mais um dia, mais uma noite, mais uma rotina tão igual a si mesma, onde o ouro já não reluz e o sol já não brilha…
E esse dia, sei que vai chegar, essa certeza, sei que posso ter, porque ninguém se livra desse dia, e eu não me quero livrar, pelo contrário, muito pelo contrario…
Aí, será a chegada do meu dia, o meu grande dia…

Este foi de todos, o meu texto, o meu real sentir… posso parecer baralhada ou confusa, mas nunca disse tanto em tão poucas palavras, nunca disse em palavras, metade do que carrego, penso e sinto, aliás…
“Uma estranha em mim”, poderia ser esse o nome, mas não… desconhecida, estranha, para mim mesma, há muito que já o sou… no entanto, o meu dia, o dia do meu reencontro, parece-me bem perto…
6º sentido de mulher e pressentimentos não costumam enganar, pelos menos a mim… enganada tenho estado eu, durante grande parte da minha vida… comigo mesma…

Acordo ortográfico



De manda-chuva para mandachuva? De para-quedas para paraquedas? De ultra-secreto para ultrassecreto? Mas ainda houve melhor, de auto-estrada para autoestrada????? De extra-escolar para extraescolar??? Quer dizer, agora junta-se tudo, vogais com vogais? Dava assim tanto trabalho por hífen ou deixar espaço? Isto traz o quê de bom? Alguém me diz?

Acção passa a ação. Electricidade passa a eletricidade. Excepcional passa a excexional. Recepção passa a receção. Óptimo passa a ótimo. Esta língua não é portuguesa!

Tudo que tenha por exemplo um “r” a seguir ao hífen, e tendo vogal antes do hífen passa a ter dois “r” e retira-se o hífen, basicamente o traço deixa quase de existir!
Anti-religoso: antirreligioso
Anti-regulamentar: antirregulamentar
Anti-rugas: antirrugas
Anti-roubo: antirroubo

Quando o hífen separa duas vogais diferentes elas simplesmente vão passar a ser coladas:
Auto-avaliação: autoavaliação
Auto-agressão: autoagressão
Auto-estima: autoestima

Bóia, deixa de ter acento e passa a boia. Crêem passa a creem. Dêem a deem.

E como nós somos inteligentes, tiramos hífen das palavras que nos habituamos a escrever com ele, e começamos a usar onde nunca usamos. Ou seja, quando há duas vogais iguais juntas.
Reedificar: re-edificar
Reeducar: re-educar
Reembolsar: re-embolsar
Reescrever: re-escrever

O “c” e o “p” que não se ouvem passam a não existir. Accionar: acionar. Acção: ação. Adopção: adoção.

Na eliminação do “p” em sequências como “mpc”, “mpç” e “mpt” o anteriormente “m” passa a “n”. Peremptório parra a perentório.

Os acentos que tantas dores de cabeça deram na escola agora também vão indo andando para longe. Pára passa a para. Pêlo passa a pelo. E às tantas não se sabe se “vamos para” ou se dizemos “pára” para que alguém se cale. Não se sabe se falamos em “pelo” de cão ou “pelo” que ouvi dizer.

Tudo que acaba em “eem” também fica sem acento. Creem, deem, veem, releem, descreem.

Os meses e as estações passam a escrever-se com letra pequena, abril, maio, inverno…



 Mas a pior é de anti-social para antissocial!!!! Até eu mudei, passei de anti-social para antissocial, não há condições!

Para mais palavras engraçadas, como acta que passa a ata, actor que passa a ator, reactor que passa a reator, co-fundador que passa a cofundador, contra-ordenação que passa a contraordenação, é só ir à página 14 do link a negrito e desfrutar.

http://www.parlamento.pt/Documents/XIILEG/Guia_Acordoortografico.pdf





quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Ano novo, vida (quase) nova



Boas saídas. Boas entradas. Bom ano. Tudo de bom. Entra com o pé direito. Boa sorte. Espero que tudo corra bem. Espero que o próximo seja melhor do que o que passou. Espero que realizes os teus sonhos. Paz, saúde e amor. Blá blá blá = a mesma coisa.
De todas as tretas e fantochadas que ouço a cada nova entrada de novo ano, há uma teoria que desta vez seguirei, ano novo, vida nova.  
Pois é, se até agora ouvi isso vezes sem conta e se até agora disse que ia fazer isto ou aquilo mas por pura covardia não fiz, agora será diferente. E digo-o convicta porque já iniciei o processo de “modificação” antes mesmo de enterrar o velho ano, e contra as minhas próprias expectativas, não me sai mal.
Mas agora, e uma vez que essa parte não correu mal, vou ser um verdadeiro 80. Como toda a gente, tenho o meu 8 e o meu 80, e a verdade é que as pessoas, em grande parte, têm o que cativam, e como essas mesmas pessoas fizeram questão de cativar o meu 80, então agora vai ser assim, 80.
Se já me orgulhava de ouvir os que não me conhecem dizer que sou anti social, que ando de cara fechada, parecendo andar de beiças, se já me enchia o peito ouvir esses que julgam conhecer dizerem que eu não me abro, falarem até em antipatia, então agora veremos essa fulana que falam em acção. A diferença é que eu era sim, tudo isso, apenas com quem não me dizia nada, simplesmente porque uma das lições de vida que aprendi é que não posso tratar todos por igual, porque não são todos iguais, e quem está perto merece um tratamento que os outros não merecem, porque são isso mesmo, os outros.
Mas os que estavam perto cativaram o meu lado antipático, o meu 80, então agora em vez de o mostrar só a uns, vai ser a todos, assim até se torna mais simples e menos selectivo.
Dei várias hipóteses a muita gente de cativar o meu lado menos mau, sim, porque eu também tenho uma lado melhor e outro pior, mas essas pessoas, todas essas pessoas, cativaram o meu pior lado, o lado mais negro de mim, o lado onde não entram sorrisos, falinhas mansas, passar a mão na cabeça, e tretas desse género.
E é por isso, para me proteger de novas ilusões, para não me por a jeito de mais dores, e para não deixar que continuem a brincar comigo e com os meus sentimentos, que a antiga Cláudia ficou enterrada juntamente com o ano velho.
Até pode me doer forte porque infelizmente não deixo de sentir, até posso estar a desesperar por dentro para pedir um gesto, uma atenção, uma palavra, até posso estar a roer-me toda por dentro com vontade de procurar ou pedir, mas por fora, a minha imagem é esta, indiferente, fria, dura, sem papas na língua e sem disposição para levar com mais porcaria em cima.
Se falarem eu falo, se me procurarem eu no que me for permitido dentro lá estarei, se tiver de criticar critico, se tiver de apontar aponto, se me for pedida opinião eu dou, se me pedirem algo que não me faça recuar na palavra achando que merecem eu dou. Mas eu, procurar, pedir, falar, convidar, não, disso já não há mais, o stock findou.
Só eu sei todas as dores que me cravaram dentro por eu amar, por confiar, por esperar, por acreditar. Só eu sei o quanto senti que brincaram, que não deram valor, que tiveram como adquirido. Só eu sei o quanto precisei sem ter, o quanto procurei sem encontrar. Só eu sei as vezes que tive de calar, de engolir, de fazer de conta que não existiu para poder ter mais aquele minuto. Só eu sei a merda que me causaram dentro.
Amigos, colegas, companheiros, amores, conhecidos, para mim passará a ser tudo igual, por fora, para mim não há diferenças porque agora, as minhas palavras serão iguais para todos, curtas, directas e sem dó.
Para que fique bem claro, não estou a falar de uma pessoa em concreto mas sim, de TODAS as que estiveram supostamente perto durante muito ou pouco tempo. Todos ajudaram a que o meu interior dissesse “chega”. Graças às mágoas, às desilusões, ao esperar de mais, eu cheguei ao meu limite, coisa que muitos acharam que eu não tinha.
Quantas vezes esperei calada que aquela tal pessoa me viesse falar porque estando perto saberia que estava a precisar! Quantas vezes esperei que me surpreendessem com um simples sorriso como eu sempre fiz quando senti que faria diferença! E quantas vezes andei atrás de quem gostava só porque esse alguém era indispensável para mim! Queria um sorriso, tinha de ser eu a ir atrás, queria um abraço, tinha de ser eu a procurar, queria falar tinha de ser eu a ir atrás, para depois, ver o virar de costas de todas essas pessoas que supostamente me queriam bem, para vê-las deixarem de estar onde disseram que iam estar, para me tratarem como lixo e fazerem de mim uma fulana qualquer, para terem atitudes que nunca perdoarei e ainda acharem que têm razão, para ouvir coisas que me ficam entaladas para a vida, para ver atirarem-me à cara coisas que nunca fui, coisas que nunca pensei ouvir, para perceber que afinal, as coisas nunca foram como eu pensei, que afinal, eu continuei sim, muito inocente, por acreditar que afinal ainda haviam sentimentos verdadeiros, por acreditar que as pessoas podiam ser realmente belas como pareciam, para acreditar piamente que eu era uma sortuda por ter encontrado pessoas tão puras, tão verdadeiras, tão diferentes.
Cega eu hein? Vinham logo ter a mim, as melhores pessoas, e eu inocente, acreditei!
Pois agora deixei de acreditar, deixei de esperar. Cansei de ser aquela que podem contar quando precisarem, que engole toda e qualquer magoa só para poder estar perto, aquela que sempre que procuram encontram e que quando não precisam fazem de conta que nem existe, aquela que dizem valorizar mas não valorizam, aquela que dizem gostar mas não mostram gostar.
Eu sou mais que isso, muito mais, e se alguém quiser alguma coisa de mim, por mais pequena que seja, terá de mostrar merecer, porque de minha parte, acabou-se o stock de paciência e de vontade.
Eu não vou continuar a sentir-te toda partida por dentro por culpa de quem gosto e mesmo assim, continuar atrás dessas pessoas, só porque quem mais me magoa, ser ao mesmo tempo quem também me faz sorrir. Mas vistas bem as coisas, entre fazerem-me sorrir para logo a seguir fazerem-me sentir um caco, prefiro parar.
E é assim que vai ser agora, o meu ano novo, a minha vida nova, num desprezo absoluto por fora por quem me fez sofrer, frieza dura e crua por quem me cravou facas no peito, desconfiança por quem acreditei de mais sem que isso fosse notado.
Se houver alguém que queira algo de mim, que goste realmente como diz, se há alguém que veja o quanto não valorizou e o quanto me fez mal, então que mostre, que venha, que tente. Porque de minha parte, prefiro morrer por dentro sozinha com a dor de já não ter, do que continuar a ter sorriso a torto e a direito num dia, e lágrimas logo no dia seguinte por culpa de quem me fez sorrir anteriormente.
Eu não sou um animal, não sou um saco de pancada, e se até agora deixei que me vissem assim, isso agora mudou. Animais há muito na selva e sacos podem comprar nas lojas, eu sou um ser humano, com coisas muito más e algumas melhores um pouco, se não sabem valorizar o que eu tenho nem o que eu sou, se não gostam realmente e apenas iludem, se fazem questão de magoar e de pisar, de não vêem o quanto magoaram alguém que quando gosta, gosta mesmo, então essa pessoa desaparece, ou melhor, desapareceu…
Não vou continuar à espera de receber o que julgo merecer. Se estive perto no pior dos outros e os outros não são capazes de estar no meu pior, então danem-se. Se dou valor e confio e as pessoas dão provas que estou errada nessa confiança, então acaba-se a confiança.
Eu sou mais do que aquilo que fizeram de mim até agora, e se não foram capazes de o ver e nem de o cuidar, pois bem, eu protejo e cuido sozinha, e aí de quem ouse tentar pisar outra vez, porque como diz aquela frase “eu sou como o vidro, se cair quebro mas também posso cortar”.
E é isso, nesta vida nova, antes sozinha do que com quem não sabe valorizar, antes cautelosa do que desprevenida. Não confio, não corro atrás nem tento. Não falo, não acredito, não espero. Posso precisar muito, posso derreter por dentro, posso desejar com a própria vida, mas fora, continuarei a ser o que tenho sido, indiferente, como foram comigo tempo de mais.
Não vou continuar a ser vista por olhos cegos (se é que me entendem), por olhos semi abertos, pela metade, às prestações, só de vez em quando. Eu sou mais que isso, mereço mais que isso. Burra fui eu de me ter dado tão fácil, de ter confiado, de ter deixado que me entrassem no peito da forma que entraram, entregando a minha própria vida nas mãos de quem nunca teve intenção de cuidar como deveria.
Chegou a hora, finalmente, de ver do que as pessoas são capazes e até onde vai o suposto gostar sincero. De minha parte, no meu canto fico, serena e na tranquilidade que preciso e me faz falta. Estou aqui, parada, quieta, à espera de ver o que me reserva o dito futuro, de ver se as pessoas que falaram em sentimentos reais, sentem realmente, à espera de ver se eu sou de facto importante ou se não passo de uma chavala que serviu enquanto serviu.
Fizeram-me sentir uma porcaria por dentro, descrer de tudo e de todos, agora é hora de ver se desfazem isso ou se simplesmente fazem de conta que não é nada com ninguém e que eu sou a única responsável.
Espero que algumas pessoas estejam satisfeitas com o trabalho que conseguiram fazer e por terem destruído aquela miúda que existia há tempos