Os ventos sopram embora o sol esteja repleto de raios que
cegam até aquele que se diz impenetrável, o frio roça na pele mesmo que se
esteja coberto até à cabeça e no entanto, o calor abafa os corações, os pobres
corações…
Esses, que um dia pareciam grandes como o arranha céus mais
alto do mundo, ou como aquelas torres que insistem em reconstruir…
Quem sabe, eles também foram alvos de ataques terroristas,
ou até, de um bombista suicida que fracassou a principal missão, e que ao invés
de destruir na totalidade, deixou os cacos espalhados e um conjunto de
destroços que nunca voltarão a ser o que um dia foram, como aquelas ilhas que
infelizmente, sempre que recuperam de um tsunami, aparece logo outra coisa
qualquer que deita abaixo tudo de novo, mesmo na altura em que todos colocam as
mãos para baixo e respiram fundo achando que finalmente poderão repousar-se,
por todos os esforços até então, e que poderão ter o sossego que bem merecem… e
é ai, nesse exacto momento, no momento em que se acabou de colocar o ultimo
tijolo, que aparece a tempestade, e cai tudo novamente, com a diferença que
agora, os que estiveram na luta estão mais cansados e com menos forças, estão
de rastos por verem tanta dedicação e tanto empenho, de muito tempo, cair
novamente em espaço de minutos.
É terrível, ver o trabalho que requereu tanto das pessoas,
vir por ai abaixo, sem que nada nem ninguém o possa impedir, é como ver um
filme de terror em que se adivinha o final mas mesmo assim, fica sempre aquela
esperançinha de que as coisas não sejam assim tão previsíveis, e que assim, dê
mais vontade de ver, porque enquanto houver hipótese de ser diferente, desistir
não é opção…
E quando a esperança morreu? Quando a esperança estiver
enterrada junto de todos os outros corpos? Ou até, quando as cinzas forem
espalhadas por ai? E ai? Como é que vai ser? O que vai ser de nós? Gente fraca
e desistente? Vamos enterrar-nos vivos só porque o medo se apoderou de nós?
Vamos andar feito baratas tontas só porque não sabemos onde nos meter? Vamos
enlouquecer só porque nos vemos aflitos e não sabemos o que fazer sem essa tal
esperança?
Pergunto eu, não era melhor, não haver esperança? Assim não
há o risco de a ver morrer, de a ver ser assassinada, estarei assim tão errada?
Não seria melhor em vez de esperarmos, irmos já, cada um para seu canto, cada
um cuidando da sua vida, cada um de bico calado porque caso contrario grande
maioria é asneira? Não ficaria muito mais habitável o mundo em silêncio? Não?
Que se lixem as pessoas, os sonhos, o calor, o frio, as
palavras, o mundo… que se lixem os esforços, os sentimentos, as atenções… que
se lixem… um dia, ricos, pobres, tolos, vamos todos ter ao mesmo sitio, e dai, ninguém
nos safa, ai, seremos todos iguais, a diferença é que muitos já se sentem assim
em vida, mas depois, sentir-nos-emos todos iguais… ou não sentiremos…
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