terça-feira, 7 de agosto de 2012

Ela jamais te vai esquecer




Eis que chega o tão sonhado, aguardado e desejado. Esperança? Nenhuma… talvez por isso mesmo é que chegou esse grandioso acontecimento… desejado mais do que a própria vida, em cada sopro, em cada bater do coração, sonhado como sonho perfeito e inalcançável… isso era algo que não passava de um sonho, de uma imagem mais que perfeita, de uma fantasia que nunca ia ser realizada… isso era algo que não passava de algo desejado de corpo e alma, de coração, de pensamento, pró cara poro, por cada pedacinho de pele…
Era algo sonhado a cada noite, pensada a cada dia, mas cuja expectativa de acontecer era nula. E ai está, não havendo expectativa, a surpresa e alegria ainda se tornam bem maiores…
De volta ao inicio… eis que chega o tão sonhado… essa semana em que finalmente, ela poderá ser tudo, dar tudo, ter tudo, sem pensar em nada mais… as estrelas lá no céu não chegam a ter a beleza da pessoa que concedeu tal sonho, o mar não chega a ter nem metade do tamanho do amor que brota no peito dela, o mundo é demasiado pequeno para caber nele toda a alegria que ele lhe deu…
As borboletas que ela sentiu na barriga, meu Jesus santinho… isso é só de criança? Não não é, ela sentiu um monte de borboletas bem dentro dela, de cada vez que esperava, ansiosamente, pelo dia… a falta de forças que sentia no corpo todo, como se ele lhe tivesse sugado a alma, porque sim, a alma dela já não lhe pertencia, era dele, o coração dela já não lhe pertencia, era dele… e vistas bem as coisas, ele apenas ia receber tudo que era dele há já demasiado tempo, ia finalmente ficar com tudo que era dele, mesmo que esse ficar não fosse mais do uns dias, mas ia ficar com o que era dele…
Como as pernas tremiam, as mãos, como o coração acelerava, como a felicidade não cabia no peito! Ela só tinha medo de uma coisa: acordar. Sim, porque ela não acreditava, era bom de mais para lhe estar a acontecer, ela não queria que a acordassem desse sonho tão belo, tão perfeito, tão feliz…
E chegou o dia, o primeiro dia do resto da vida dela… entrou no carro que era conduzido pelo seu mais que tudo e seguiram viagem, para um mundo só deles, onde apenas eles entravam, em direcção a um sitio que nessa altura era só para eles, cujo dia era só para eles, cuja semana era só para eles…
É com misto de tristeza e alegria que se recorda de tal tempo… foi a melhor semana da vida dela, a mais intensa, a mais verdadeira, a mais pura, a mais tudo… nessa semana, pela primeira vez, sentiu-se verdadeira, sentiu-se completa, sentiu-se feliz, sentiu que finalmente estava no sitio certo, com a pessoa certa… não precisava de mais nada, qual Internet, qual telemóvel, qual outras pessoas, nada! Tê-lo a ele, ali, só para ela, poder passar o dia inteiro assim, só com ele, poder sentir que pelo menos ai, ela podia dar-se na totalidade como sempre desejou, e melhor que isso, podia tê-lo só para ela, naquele momento, naquele dia, naquela semana… ela realmente não precisava de mais, tinha tudo, mesmo ali, diante dos seus olhos…
Que semana maravilhosa, perfeita, inesquecível…
Já lá vãos uns anos, para não ser precisa nem entrar em pormenores que não interessam a quem não sabe deles…
“Sometimes I Think I’m Crazyyyyyy” (para ser mais clara)…
Tudo para responder ao porquê dela estar assim, a parecer mil e uma coisa, tipo indiferente ou sei lá mais o qeê, porque custa paletes de muito ver que uma nova semana está a acontecer, e não é ela que está com ele, não é ela que está nessa grande semana, não é com ela que ele vai partilhar todos os cadinhos do seu dia… e é inevitável recordar essa semana sem sentir saudade, sempre que uma semana assim chega…
Saudade, ciúme, tristeza, falta… dor, vontade, pensamentos…
Por um lado quer ser compreensiva, quer esquecer os pensamentos menos bons e egoístas, e espera de coração que tudo corra sempre pelo melhor, que ele sorria muito mesmo que ela não veja, que ele esteja bem e na plenitude dos seus, rodeado de amor e de quem lhe faz bem… mas por outro, a dor de não fazer parte, de não estar perto, de não ver… enfim…
Uma coisa eu sei… sei que ela, por muita porcaria que tenha na vida, hoje, amanhã, sempre, não interessa, pode orgulhar-se de dizer que teve uma semana em que esteve totalmente completa, totalmente feliz, numa felicidade que nunca mais poderá sentir, mas que ai, sentiu…
Pode até nunca mais sentir o gostinho de ter e ser na totalidade, mas pelo menos tem uma semana que define como perfeita, em que reforçou para si mesma a ideia de que jamais poderá estar assim com outro alguém, num outro sitio, porque aquela cumplicidade, aquele felicidade, aquele amor, só ali, só com ele, só assim…
Ela nunca mais vai sentir aquela coisa maravilhosa que sentiu bem lá dentro de si mesma, e isso custa, mas ter tido a oportunidade de se sentir assim, já é muito mais do que um dia poderia ter esperado.
É incrível como uma pessoa é capaz de tocar na alma de alguém, é capaz de fazer o coração sorrir, a felicidade alojar-se no peito, é como se não fossem duas pessoas, é como se fossem a continuação uma da outra, eram apenas um, na totalidade, na cumplicidade, na alegria, nas mil e uma coisas fantásticas…
Não há nem pode existir tal semana, tão completa, tão feliz, há no entanto essas recordações, da melhor altura da vida dessa miúda, que mesmo não tendo muito onde se agarrar, tem essa semana como a melhor semana da vida dela… com pena, sabe que nunca mais voltará a ter outra igual, pensar nisso provoca uma dor imensa, ainda para mais, sabendo que não está lá, não é ela que está lá, mas ninguém poderá apagar tudo que sentiu nessa semana…
Poderá nunca mais sentir-se assim, mas essa semana, fica no coração, como a melhor recordação de todos os tempos…
Porque com amor, tudo é mais belo, mais perfeito… não é preciso muito, apenas e só quem se ama, e acho que ai ela mostrou o quando amava esse menino… porque nunca se sentiu tão feliz e não foi preciso mais do que tê-lo perto dela…
Bata um olhar para sentir a cumplicidade que nunca mais encontrou fora dele, um sorriso para ver que nunca mais sentiu tanta felicidade a ver alguém sorrir… há coisas que não dão para explicar, mas quem sabe, quem sente, sabe tal e qual o que estou a dizer, assim espero…

2 comentários:

  1. Momentos de felicidade, embora passageiros, também ficam na memória, e a sua recordação acaba sempre por preencher aquele vazio que a solidão gera dentro da alma...
    Foi um prazer voltar a ler-te, "xixen". Continuas a mesma escritora de sempre. Nunca desistas de escrever!
    Parabéns por mais este texto belíssimo!

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  2. Olá Mário.
    Como sempre, agradeço as tuas palavras, sabes que sempre foi um gosto ter-te como leitor. Obrigada por me acompanhares em todos os blog's que vou criando.

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