Toca o despertador e os olhos não
querem abrir… não, não é sono, estou bem acordada, é pouca vontade de ir para
onde o destino me irá levar… de olhos fechados, o dia passa-me pela mente, como
recordação, como se fosse de noite e eu estivesse a recordar o dia que passou…
sim, porque é o mesmo, pormenor aqui ou ali, mas o resumo é praticamente igual.
Então vejamos, assim que ganhar
coragem para enfrentar o pesar do meu peito, finalmente ponho-me a pé,
limitando-me a deambular tipo morta-viva, vencida pelo cansaço acumulado de uma
rotina que não é escolha minha… o intervalo entre isso e sair de casa fica de
fora, não interessa…
Saindo de casa esperam-me esses
longos 22 kms, que à partida podem parecer coisa pouca, não fosse a minha
vontade consumida, parecendo-me uma longa viagem.
Percorridos esses kms chego ao
meu ponto de chegada e partida.
Aí, tenho de chegar na incerteza
de disposição alheia, apesar do enjoo de tudo igual, sempre e sempre as mesmas
caras, cujos traços já os conheço até há mais escondida ruga, salvo pequenitas
excepções que não causam enjoo, por enquanto…
Aqui, ora faço qualquer coisa,
ora passo o dia a olhar para o boneco, diria a coça-los mas deixo isso para
quem os tem, que aliás, fartam-se de o fazer… e tomar banho não? Essa vontade
louca de se coçarem com certeza passará… ah não, desculpem, têm tanta vontade
de fazer alguma coisa de útil quanto eu…
A vontade de fazer o que
supostamente devia fazer evaporou-se faz tempo, juntamente com tudo que o meu
peito tinha lá dentro, foi nessa altura que o meu coração desistiu do mundo e
das pessoas que até aí eram mais… “o
coração foi feito para bater, não para apanhar”, e o meu cansou-se de ter
sempre o oposto…
Adiante, voltando ao tema, venho
para aqui apenas e só para marcar presença, na esperança que não dêem por mim.
Olha a incoerência, marcar presença esperando que a presença não seja notada,
vê se pode.
E fico basicamente à espera da
hora de partida, para mais esses 22kms ao inverso, para ir a casa comer, dormir
(engraçada essa de dormir) e esperar pelo dia seguinte, que como já se
entendeu, é no fundo, ler isto tudo de novo.
Calha bem, o livro da minha vida
é rápido de se escrever, cá está ele, se quisesse escrever um diário bastava
copiar e colar isto (como as pessoas fazem para testes e afins) em várias
paginas, alterando tão somente… a data…
E venho eu, de um jejum de
escrita de tanto tempo, para escrever sobre rotina só por si cansativa e
desprovida de qualquer apontamento positivo… isso menina, mete o dedo na ferida
para ela abrir mais, oh sua sadomasoquista
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