quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Sentimento incomparável

Que nome dar ao sentimento que brota do peito sem intenção, sem forçar, sem procurar e sem qualquer vontade própria? Sentimento tão puro quanto a natureza, tão inocente quando o coração de uma criança e ao mesmo tempo, tão colado a um desejo físico. Sentimento que aprisiona o coração, a alma, tudo que faz parte de nós. Sentimento que acarreta vários sentimentos, o de amor, amizade, carinho, respeito, compreensão, e ao mesmo tempo o lado mais carnal, de atracção, de desejo, de união. Sentimento que não se contenta com um "olá" se ele não trouxer um sorriso, que não se contenta com um carinho porque quanto mais tem mais quer ter, não pelo sentimento de posse, mas pelo sentimento que cada toque desperta. Que nome dar a um sentimento tão único, tão forte, tão puro e malicioso em simultâneo? A palavra amor é demasiado vulgar, foi totalmente banalizada, aliás, ouvi-a da boca de muita gente por diversos motivos, e em nenhum desses motivos, havia o tal sentimento que falo, por isso, essa fica descartada e limita-se a ser um
pequeno acréscimo na descrição desse grandioso sentimento que aquece o coração e "penetra" na alma.
Não falo de sentimento à flor da pele, falo de sentimento que vive dentro, a cada instante, no mau, no bom, no inexplicável, nas lutas e nas vitórias, como se a presença desse outro coração estivesse bem dentro do nosso próprio coração, como se a pessoa a quem pertence esse coração estivesse mesmo ao lado, de corpo e alma, a sorrir e a olhar para o nosso interior, como se fosse um "raio x".
Sentimento que permite ouvir o silêncio e interpretar as várias palavras não ditas. Sentimento que ninguém explica como cabe no peito. Sentimento no qual não entra qualquer tipo de coisa menos boa, qualquer sentimento menos bom. Sentimento que quer proteger, acarinhar, adorar de todas as formas, sentir, estar, presenciar, apoiar. Sentimento que nos obriga a pensar, por vezes em voz alta, "fogo, não sei como mas o que sei é que "amo" com a minha própria vida, desejo como nunca, quero demasiado, e entendo o porquê de ouvir algumas vezes, a felicidade do outro é realmente mais importante do que a nossa, aliás, é a única coisa verdadeiramente importante".
Chegar ao ponto de sentir que nada mais importa além daquele sorriso, daquela felicidade, que o que nos vai dentro não importa, porque o que importa é o outro. Não importa se dormimos mal, se estamos cansados, stressados, de mau humor. Não importa se o dia correu mal, se houve alguma desilusão pelo meio. Tudo isso fica completamente de lado quando o desejo de felicidade do outro supera todas as expectativas, quando damos por nós a desejar com todas as forças que o outro tenha sucesso, que o outro consiga o que quer, que o outro sorria, ainda que essa felicidade não depende de nós.
Sim, sentimento incomparável, esse de deixarmos de viver o nós porque passamos a viver o outro, porque sentimos a dor do outro, sentimos a alegria do outro, sentimos o que o outro sente como se fosse connosco de verdade.
Haverá sentimento maior que esse? O sentimento que nos permite esquecer tudo, colocar de lado todas as coisas más da vida e simplesmente sorrir, somente porque a pessoa existe, porque a pessoa despertou o nosso melhor lado...
Nãooooooo, não há nada que supere isso, nada que chegue perto se quer, desse sentimento para o qual ainda não inventaram palavra suficientemente forte e intensa

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