Só eu
sei a angústia que carrego, a dor no peito, a volta no estomago, as lágrimas
que correm face a baixo… só eu sei o que custa, quanto custa, em que proporção custa…
só eu sei o que sinto, como sinto… só eu sei que ninguém além de mim sofre mais
do que eu, por tudo, por nada…
Pouco me
importa se julgam entender, se julgam as atitudes, o feitio, o sentir… pouco me
importa se me veem, se não veem… pouco me importa se há razão, se não há razão,
se o sol brilha por cima ou por baixo das nuvens…
Só eu
habito cá dentro, só eu sinto as batidas do meu Coração, e diga-se, a pulsação fala
por si… só eu sei a força que faço para ser a forte que todos leem pela capa, a
arrogante e fria que além de mais é antissocial…
Só eu e mais ninguém conhece o real conteúdo
além do que a vista alheia alcança… todas as dúvidas, dores, incertezas, mágoas,
tudo isso, só eu sei…
Sei como
é fácil julgar, opinar, não perceber o outro, eu também enquanto humana cometo
todas essas gafes montes de vezes… mas também aprendi uma coisa muito
importante: nem tudo é o que parece, por traz da frieza existe uma dor
latejante, por cada sorriso existe uma lagrima acorrentada pela suposta força,
por todo o “estou bem” há um sentimento de “não consigo mais”…
É fácil mostrar,
parecer, fazer de conta… pior, é fácil acreditar nisso tudo, é muito mais fácil
acreditar que está realmente tudo superficial do que fazer o esforço de ver mais,
para lá, do lado de dentro.
Óbvio,
ninguém consegue penetrar a mente de ninguém, ninguém consegue interpretar
sorrisos e olhares se não houver realmente interesse, ninguém consegue
efectivamente colocar-se no lugar do outro, por muito que diga que consegue...
Perante tudo
isto a conclusão que chego é que somos todos uns hipócritas egoístas, muito
amigos e dados à compreensão quando isso não afecta a nossa paz, muito atentos
quando isso não dá muito trabalho, muito preocupados quando isso não incomoda
demasiado o nosso sossego…
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