terça-feira, 30 de outubro de 2012

Confiança?


Será que o erro é meu por achar que confiança passa sobretudo por respeito pelo que é dito? Ou seja, diga o que disser, de quem disser, como disser e em que contexto disser, se o digo, é porque na confiança, tudo que é dito fica ali, entre quem disse e quem ouviu.
Será que realmente o erro é meu? Por achar que confiança passa por isso? Será que as pessoas andam demasiado cegas e não percebem que confiança é muito mais do que meia dúzia de momentos passados juntos? Que é preciso provas, que é preciso demonstrações?
E mais, será que também é erro meu ficar desapontada e magoada quando me ferem a alma com provas totalmente opostas ao que eu esperava? E será que também é erro meu esperar que essas pessoas, pela importância que têm, me mostrem que compreendem, que admitem que se fosse ao contrário não gostariam? E principalmente, que parem de achar que fizeram bem em trair a confiança?
O que me custa não é propriamente a parte de traírem a minha confiança, uma, duas ou três vezes. O que me custa, de chateia, me revolta, me dá cabo dos nervos, é ver essas pessoas agirem ao contrário do que era esperado, reagirem mal à critica, não compreenderem e ainda virarem o jogo, como se o mal fosse de todo o mundo menos de eles mesmos.
De que me adiante alguém dizer que me ama, que me compreende, que quer estar comigo, que posso confiar, que respeita o que sou, que está disposto a tudo, se de cada vez que mostro desagrado por algo essa pessoa vira costas, reage mal, atira à cara coisas que nunca tinha dito? Não era suposto essa pessoa preocupar-se em fazer-me ver que o acontecimento foi apenas um deslize que não pareceu errado no momento? Que compreende o meu ponto de vista? Não era suposto ser prioritário dar-te provas de que posso confiar ao invés de simplesmente amuar e achar-se cheio de razão? Não era suposto aceitar a verdade que digo e que tanto me é pedida em vez de ficar ofendido e chateado por lhe dar essa verdade? Não era suposto dar valor ao facto de lhe dizer directamente o que acho em vez de me atirar à cara de que não dou valor às coisas? Alguém que me diz que admira eu dizer o que acho no bom e no mau levar sempre a mal o que lhe digo quando é mau? Quer dizer, eu elogio o bom, valorizo, digo, dou conta, mas quando chega a parte má, só por eu a apontar, já não dou valor a nada, já não vejo nada do bom que se passou, já só vejo as coisas más?????
Não entendo, é isso que mais me chateia. Eu esperava apenas que me compreendessem pela importância que sabem que dou à confiança. Sempre disse que dizia o bom e o mau e sempre o fiz. Só esperava que as pessoas entendessem quando aponto o mau e que não me atirassem à cara que não dou valor ao bom, porque isso é de uma injustiça que não admito nem aceito.
Acho que quando realmente se gosta de alguém, se esse alguém nos diz de caras que ficou desiludida com alguma atitude nossa, a nossa obrigação é entender, respeitar, e tentar remediar a situação, e não andar a mandar bocas foleiras, a ficar chateado, a virar costas, e achar que a razão está sempre do nosso lado.
Eu não sou essa que dizem que sou quando a conversa está quente. Eu não quero e nunca quis alguém perfeito, eu não sou de não dar valor às coisas, muito pelo contrário, sempre disse o quanto certas coisas tinham valor para mim, o quanto as admirava. A única coisa que espero de alguém em quem confio e que me diz que faz tudo para estar bem comigo, é que esse alguém faça o mesmo que eu, valorize o que é bom e tente remediar o mau quando lhe diz respeito, em vez de me andar a ofender e a descer baixo. Acho que é o mínimo que mereço, ou que merecia, seja amigo, seja namorado, quando a ideia é confiar, se há algum motivo que mostre não poder confiar, a obrigação da pessoa é tentar emendar, é tentar esclarecer. Mas a mim, a única coisa que foi feita, foi dizerem-me que a razão não está do meu lado, que eu é que estou errada!
Depois ainda agem como se estivessem verdadeiramente chateados com algo que eu fiz?! Quer dizer, sempre que me magoam ou que me surpreendem pela negativa, em vez de tentarem resolver reagem super mal, e eu é que estou errada?!?! Quer dizer, foi a mim que me magoaram, que me atingiram, eu fui directa e sincera ao dizer isso, e em vez de tentarem esclarecer e fazer-me ultrapassar isso, preferem ficar amuados e virarem as costas, como se o erro tivesse sido cometido por mim?! Mas estão-se a passar ou quê?
Não percebo, não percebo como alguém em quem confiei tanto, sempre que me desaponta é capaz de descer tão baixo, dizer-me coisas que sabe que só me ferem, coisas injustas e amargas, e ainda achar que tem razão e que eu é que não dou valor a nada, quando a única coisa que espero é que compreenda e tente me mostrar o contrário do que senti no momento da desilusão… não entendo mesmo…
Não me venham dizer que eu não sou valor, que estou sempre a dizer que “não fazes nada”, que estou sempre a dizer que me desiludem. Eu apenas digo o que sinto, e o que sinto é que as pessoas por muito que digam que me entendem, não entendem. E quando têm oportunidade de provar tudo aquilo belo que dizem, limitam-se a deitar tudo por agua a baixo. E o erro continua a ser meu? Por ser sincera? Por esperar mais dessas pessoas? Por achar que vão tentar remediar a situação? Menos!

Nenhum comentário:

Postar um comentário