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Num jeito tipicamente atrofiado, ou não seria eu a doida que sou, vou transpor a salgalhada que sinto, numa salgalhada bem maior, cujo sentido provavelmente só chegará a mim mesma… mas já é normal, só eu entendo o real sentido do que digo mesmo quando todos julgam que digo isto ou aquilo…
Posto isto, por agora talvez começando por algures que nem
sei como definir, visto que não há começo, nem meio, e muito menos fim, não
posso dizer que começo pelo início, começo simplesmente por onde agarro o
primeiro pedacinho de ponta solta que dê para começar.
E nesta minha profunda mistela de sensações, emoções e
incoerências interiores, resumo inicialmente tudo em palavras que seguem:
PORCARIA, uma grande porcaria.
Porcaria ver amarelo onde só existe negro, porcaria encontrar
o que não existe, porcaria ver o que é impossível ver, porcaria existir numa
existência insignificante e desprovida de qualquer sentido real que não seja,
esperar pelo fim que faça tudo ter inicio e fim, com meio totalmente
dispensável.

Ohhh cachopa, não esperes nada dos fulanos que embriagam a
tua vista com uma beleza interior de fachada, nem esperes nada desses príncipes
disfarçados que no fundo são lobos maus, e principalmente, não vejas o que não
existe, a maior barbaridade que congela os sentidos e faz doer todo e qualquer
pedaço que se sente, é sem dúvida, a ilusão, a ilusão do ser, do achar que é,
do querer, do achar que vai ser, que é, que blá bla blá… sim, é verdade, as
maiores dores advém única e exclusivamente da ilusão que nós mesmos enfiamos
brutamente na nossa tola. Ou por carência, ou por acreditar, ou por querer, ou
por necessidade, o facto é que nos iludimos a achar que as pessoas são como as
vemos, que as coisas são como queremos, que afinal é tudo lindo, e no fim, se é
que há fim, percebemos isto, que afinal, as pessoas não são assim, nós é que as
vimos assim, as coisas não são como queremos, nós é que acreditamos de tal
forma que acabamos por esquecer de acordar, nós julgamos muitas vezes as coisas
em função do que o nosso inconsciente quer, e acabamos cegos e iludidos, e
quando a realidade se faz ver, PIMBA, toma lá, a ver se abres esses olhos que
todos dizem ser grandes… que importa o tamanho? Afinal é bem o caso de que o
tamanho não importa (sem perversidade), porque tenho olhos grandes (pelo que me
fazem acreditar) mas ainda assim, continuo uma cegueta de primeira.
Venham aprender comigo, a serem cegos e a acreditarem, a
esperarem o que sabem que não vem, a desejar o que sabem que nunca terão.
Venham os deprimidos e ofendidos pelas pessoas que não compreendem, venham e
juntem-se ao clube de pessoas parvas e cegas, como eu deve haver ao menos meia
dúzia.
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E andava ela, convencida do ca**** a dizer que aprendeu com
as chapadas da vida, que agora é assim, é para acreditar, há que provar, é para
confiar, há que merecer, é para estar perto, então mostra que queres e
valorizas… e afinal de contas, a chavalita continua a fazer a mesma “shit” de
sempre, ou seja, completamente obcecada pelo que quer acreditar que existe e
completamente alheia ao que de facto existe.
Ohhh parolinha, porque não tentas enxergar tipo assim, dois
palmos à frente do nariz, não mais que isso, já me parece suficiente e já basta
para veres muita coisa que recusas ver porque te incomoda profundamente que nem
tudo seja como tu queres acreditar que seja.
E o erro será meu ou dos outros? O erro é meu por acreditar
no que quero acreditar ou dos outros por não serem o que eu quero que sejam? É
claro que o erro é meu! Ninguém tem culpa de que eu espere isto ou aquilo, que
queria isto ou aquilo, que acredite nisto ou naquilo, e muito menos, ninguém
tem culpa que me desiluda por perceber que afinal as coisas não são como eu
acreditava, porque no fundo, fui eu que acreditei, ninguém me apontou uma arma
à cabeça, que eu saiba.
Dane-se o mundo e todo o povo que está nele, desde os
racistas aos violentos, desde os depravados aos incompetentes, desde os
maldosos aos terrivelmente estúpidos, desde os falsos aos aparentemente tudo
menos o que são.

Era tão mais fácil, mas tão mais fácil, se as pessoas fossem o
que são e mostrassem exactamente isso, sem máscaras nem disfarces nem nada que
possa ser semelhante, evitavam-se dissabores e sobretudo, evitavam-se criar
mais e mais pessoas atrofiadas da cabeça como eu, que não conseguem entender a
merda que muita gente é. (I’m sorry pela expressão).
Para quê? Pergunto eu sem obter resposta. Para quê parecer o
que não se é? Para quê mostrar o que não se é? Para quer forçar ou
disfarçar???? Why?Porque não ser como a água mais limpa, transparente? Mesmo
que nos escorregue dos dedos e mesmo que ninguém saiba o rumo dela, a verdade é
que toda a gente sabe que é água, que dá para beber, para tomar banho, para
lavar as coisas, mas toda a gente sabe o que é e para que serve! Então, sejamos
água! ÁGUA LIMPA, porque de suja já há em demasia
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