Ando a pensar muitas vezes numa coisa que me foi dita, e
apesar de não ter concordado na altura, imagino como será mais fácil olhar para
as coisas por esse prisma. Assim sendo, cada vez mais me aproximo dessa visão
que me foi transmitida, e nesse contexto, as decisões presentes e futuras
poderão vir a ser tomadas por aí. Ideias não me andam a faltar de facto.
Posso não saber as palavras letra a letra, posso não saber
onde está a virgula e onde não está, mas a ideia que retive foi: “o mais importante é sermos amados, mais do
que amarmos, termos quem nos ame e respeite é mais importante do que nós
amarmos”.
Sem dúvida que se quem o disse acredita nisso muita coisa
fica explicada na minha cabeça.
Mas como raio se pode estar só porque somos amados? Só
porque nos fazem sentir bem? E o resto? E o que nós sentimos não interessa?
Adiante, depois de muito pensar nessa constatação e de perceber que afinal até
consigo viver minimamente dessa forma, percebo o quanto é mais fácil
acomodarmo-nos se deixarmo-nos ficar. É bem mais fácil ficarmos por algo que
não dá trabahinho nenhum e que ainda por cima nos traz algumas coisas boas do
que andarmos por ai feito batatas a lutar. Lutar? Isso é coisa demasiado
complicada. Fácil é ficarmos com quem nos ama, o resto não faz diferença.
É tão mais simples optarmos pelo caminho mais fácil, tendo
quem nos ama é fácil sentirmo-nos bem, embora não completos, e esse facilitismo
faz-nos entrar na onda do comodismo, coisa que até agora não aceitava.
Mas é a única explicação para ver tanta gente optar sempre
pelo caminho mais fácil, é mais fácil ficarmos pelo que temos sabendo que é
certinho e que não sai dali do que sairmos por ai à luta sem saber o resultado
final. Mais vale ficar com o certo do que lutar pelo incerto, mesmo que seja
esse incerto que nós desejamos dia e noite.
Odeio, repugna-se essa ideia e idiotismo de facilidade, no
entanto, virei não só idiota como começo a achar que parva sou eu por ainda
achar que é preferível o que queremos mesmo que isso acarrete muita luta, e
mesmo que isso no final nem aconteça.
Isto muito resumidamente, disseram-me, eu ouvi, calei,
pensei, e chego à conclusão que se todos conseguem viver no mais fácil, no mais
simples, no “o que importa é ser-mos amados”, então eu também consigo, eu
também sou capaz de me moldar à nossa bela sociedade
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