sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
Estado de Espirito (06 Fevereiro 2011)
Sinto-me perdida no mundo, neste meu canto escuro onde os pássaros já não cantam a melodia de outrora, onde as borboletas já são raras, onde o bom parece não querer entrar, onde todas as portas e janelas desapareceram, onde o sol não brilha e o sorriso parece não querer aparecer, onde o chão de pedra mais parece areia molediça, onde a água escasseia nas torneiras mas não nos olhos, onde o coração parece querer parar mas não para, onde a respiração é penosa e cada sopro faz desejar fechar os olhos forever, onde as árvores ficaram sem folhas numa tristeza arrebatadora, sem core, sen nada, onde as paredes se encontram revestidas de um negro pesado, onde mil pessoas passam mas a solidão dói, onde o mundo parece ter parado, onde os ponteiros do relógio parecem arrastar-se numa luta contra o tempo, onde tudo é pesado, mau e desprovido de sentido…
Assim me sinto, assim me tenho sentido, este é o meu estado de espirito.
Sozinha, hoje sinto-me sozinha, neste sitio que não reconheço, com estas pessoas que me são agora estranhas, esta mesa, esta caneta, esta letra, este computador, estas vozes, tudo me parece estranho e desconhecido…
O rosto que aparece refletido no espelho quando me ponho à sua frente… quem és tu? nem a ti pareço reconhecer…
Agira, hoje, neste momento, nestes dias, nada faz sentido, nada toda este silêncio, este ardor que queima o peito…
Tudo que estava do lado de dentro quis sair, nada quer entrar…
Aqui, neste recanto estranho e sombrio, sinto-me isolada, desanimada, dolorosamente sozinha…
Não vejo o que quer ver, não ouço o que quero ouvir, não sinto o que quero sentir…
Tudo se desmoronou e abateu sobre a minha cabeça sem que eu tivesse tempo de reparar na tragédia que is suceder… foi dada oportunidade a todas as outras pessoas, a mim, foi-me recusada… não me foi dada uma única, e isso, jamais passará ou se apagará da minha memória… quando a opção é escolher, eu fico de fora, quando a opção é virar costas, eu sou a opção, quando consciência faz escolher, eu fico para tras, quando o mundo cai, eu fico suterrada e esquecida, quando as flores crescem e tudo é bonito, eu estou sempre presente, agora, ao primeiro espinho que pica, eu fico logo atras, sem hipotese, sem escolha…
Sinto-me cega, surda e muda, diria até amordaçada e presa a esta dor… sozinha e esquecida… devorei o bom com medo que me fugisse, mas devorei-o de tal forma que ele acabou mesmo por me fugir… e agora?? Agora fico-me por aqui, neste mundo desconhecido, num corpo que não conheço, com uma alma ferida, com um coração desfeito e que ainda não parou porque o mero acaso assim não quis…
Quase tudo tem solução, mas um coração despedaçado deixa para sempre cicatriz… e o meu, bem sei, nem mil curativos o vão fazer ficar como já foi…
Podia ficar aqui e fazer disto um palácio, o meu palácio, e esperar que um principe me viesse salvar… o problema é que não sou princesa, não acredito em principes, e ninguém me quis salvar quando era tempo…
Tenho medo, receio, dor… não posso dizer que não tenho nada, porque afinal, tenho tudo isso… dói dentro, incomoda esta ferida aberta, que quando parece querer fechar, logo encontra mais uma faca pronta para a reabrir e de novo fazer ver, o quanto o destino é cruel…
Não me peçam para ver o lado positivo, porque simplesmente não o há, neste momento não…
Não tenho mais nada, por isso, deixo a porta aberta para quem quiser sair…
Eu não ia gostar de estar perto de alguém como eu, durante muito tempo, até a mim me incomodo, por isso, aceito que todos se vão embora… não questiono, não julgo, o pleno direito dá para isso, e eu não sou ninguém para esperar que não sigam o caminho que lhes convier mais…
Não tenho forças para me segurar, qanto mais para estar à altura de mais alguém…
Saiam, quem quiser pode sair… digo-o de plena consciência, não quero arrastar ninguém para este abismo no qual só me apetece dar um passo em frente, em sua direcção…
Sinto-me sozinha como nunca, uma solidão tremendamente desgastante, é a altura ideal para quem quiser saltar para o lado de fora…
Até porque neste momento, sinto que não posso contar com ninguém, mas sobretudo, sinto que ninguém pode contar comigo… e isso, não só não é justo para mim, como tabmém, não é justo para outros…
Não consigo mais, esta dor consome-me dia e noite, não consigo se quer disfarçar, e fui sempre tão boa nisso!
Podia fazer de conta, estampar um sorriso no rosto, disfarçar dia a dia, mas para quê? à noite volta tudo, nas pausas volta tudo, no meu canto volta tudo…
Por isso, muito sinceramente, quem quiser sair, que saia, quem achar que estou demasiado “pesada” e que não precisa de gente assim porque também está cheio de porcarias, que se vá embora…
Agora, quem realmente quiser ficar, se é que alguém o vai querer, só pode contar ver-me assim… sem grandes falas, sem grandes sorrisos, sem grandes coisas… eu já estive exteriormente animada vezes de mais para animar quem queria ver bem, chegou a hora de me manter tal como me sinto, e esperar, ver, e sentir o que os outros esperam de mim e são capazes por mim…
Posso chegar à conclusão que afinal ainda há gente que vale a pena, por quem deva fazer mais um esforço, ou posso simplesmente chegar à conclusão que ninguém faz por mim, o que espero e preciso… será uma conclusão que espero chegar muito em brave, e já não falta tudo…
Estou cansada de me levantar, de tentar erguer a cabeça, de tentar esquecer, de lutar, de tentar não levar o dia em função do que o peito diz, de tentar não focar o pensamento no que dói…
Acabou, estou rota, esgotada, sem pedalada nem energia para mais…
Pela primeira vez digo: não podem contar comigo, se contarem ver-me bem, ver-me sorrir, ver-me esforçar, ou mesmo, ver-me tentar… eu não quero, não posso e não consigo tentar mais…
As pessoas que gosto poderão SEMPRE contar comigo quando precisarem, na medida que me for possivel, sei que para elas, mesmo completamente desgastada, arranjarei sempre alguma força para estar o minimo possivel, mais que isso, não sei se sou capaz, e se quero ser…
Que isto não seja interpretado como uma desistência, isto pode sim, ser considerado uma baixa, porque fui para a guerra a sangue frio, e sai ferida de forma a que não sou capaz de ir para mais nenhuma abtalha, por muito pequena que possa parecer… fui derrotada, admito-o, rendo-me… tive adversários verdadeiramente fortes, e embora me custe mais que tudo, admiro-os mais a eles, do que a mim ou a qualquer outra pessoa, porque não foram inimigos, apenas lutaram, mantiveram-se sempre firmes, nos seus ideais e principios, não desistiram, mantiveram a cabeça sã, e hoje, ganharam não a batalha, mas a guerra, com enorme mérito…
Mas agora, não contem com a minha força, coragem ou determinação, porque ficou tudo para tras…
Se era forte como muitos dizem, também muitos se calhar não perceberam que até a pessoa mais forte precisa de ajuda… eu passei pela guerra de mãos a abanar, fui abatida e este, é o meu fim dentro…
Não dou mais luta, não tento mais, admito que perdi e dou louvor aos que ganharam, mereceram-no e isso, é tudo mérito deles… deles e de mais ninguém…
Sinceramente, não aguento mais nenhuma queda, já aguentei mais do que achei conseguir, mas foram demasiadas, agora chega, fico-me cá em baixo, assim não corro o risco de chegar ao 20º andar e voltar a cair, e desta vez, no meu próprio suicidio
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