Boas saídas. Boas entradas. Bom
ano. Tudo de bom. Entra com o pé direito. Boa sorte. Espero que tudo corra bem.
Espero que o próximo seja melhor do que o que passou. Espero que realizes os
teus sonhos. Paz, saúde e amor. Blá blá blá = a mesma coisa.
De todas as tretas e fantochadas
que ouço a cada nova entrada de novo ano, há uma teoria que desta vez seguirei,
ano novo, vida nova.
Pois é, se até agora ouvi isso
vezes sem conta e se até agora disse que ia fazer isto ou aquilo mas por pura
covardia não fiz, agora será diferente. E digo-o convicta porque já iniciei o
processo de “modificação” antes mesmo de enterrar o velho ano, e contra as
minhas próprias expectativas, não me sai mal.
Mas agora, e uma vez que essa
parte não correu mal, vou ser um verdadeiro 80. Como toda a gente, tenho o meu
8 e o meu 80, e a verdade é que as pessoas, em grande parte, têm o que cativam,
e como essas mesmas pessoas fizeram questão de cativar o meu 80, então agora
vai ser assim, 80.
Se já me
orgulhava de ouvir os que não me conhecem dizer que sou anti social, que ando
de cara fechada, parecendo andar de beiças, se já me enchia o peito ouvir esses
que julgam conhecer dizerem que eu não me abro, falarem até em antipatia, então
agora veremos essa fulana que falam em acção. A diferença é que eu era sim,
tudo isso, apenas com quem não me dizia nada, simplesmente porque uma das
lições de vida que aprendi é que não posso tratar todos por igual, porque não
são todos iguais, e quem está perto merece um tratamento que os outros não
merecem, porque são isso mesmo, os outros.
Mas os que
estavam perto cativaram o meu lado antipático, o meu 80, então agora em vez de
o mostrar só a uns, vai ser a todos, assim até se torna mais simples e menos
selectivo.
Dei várias
hipóteses a muita gente de cativar o meu lado menos mau, sim, porque eu também
tenho uma lado melhor e outro pior, mas essas pessoas, todas essas pessoas,
cativaram o meu pior lado, o lado mais negro de mim, o lado onde não entram
sorrisos, falinhas mansas, passar a mão na cabeça, e tretas desse género.
E é por isso,
para me proteger de novas ilusões, para não me por a jeito de mais dores, e
para não deixar que continuem a brincar comigo e com os meus sentimentos, que a
antiga Cláudia ficou enterrada juntamente com o ano velho.
Até pode me
doer forte porque infelizmente não deixo de sentir, até posso estar a
desesperar por dentro para pedir um gesto, uma atenção, uma palavra, até posso
estar a roer-me toda por dentro com vontade de procurar ou pedir, mas por fora,
a minha imagem é esta, indiferente, fria, dura, sem papas na língua e sem
disposição para levar com mais porcaria em cima.
Se falarem eu
falo, se me procurarem eu no que me for permitido dentro lá estarei, se tiver
de criticar critico, se tiver de apontar aponto, se me for pedida opinião eu
dou, se me pedirem algo que não me faça recuar na palavra achando que merecem
eu dou. Mas eu, procurar, pedir, falar, convidar, não, disso já não há mais, o
stock findou.
Só eu sei todas
as dores que me cravaram dentro por eu amar, por confiar, por esperar, por
acreditar. Só eu sei o quanto senti que brincaram, que não deram valor, que
tiveram como adquirido. Só eu sei o quanto precisei sem ter, o quanto procurei
sem encontrar. Só eu sei as vezes que tive de calar, de engolir, de fazer de
conta que não existiu para poder ter mais aquele minuto. Só eu sei a merda que
me causaram dentro.
Amigos,
colegas, companheiros, amores, conhecidos, para mim passará a ser tudo igual,
por fora, para mim não há diferenças porque agora, as minhas palavras serão iguais
para todos, curtas, directas e sem dó.
Para que fique
bem claro, não estou a falar de uma pessoa em concreto mas sim, de TODAS as que
estiveram supostamente perto durante muito ou pouco tempo. Todos ajudaram a que
o meu interior dissesse “chega”. Graças às mágoas, às desilusões, ao esperar de
mais, eu cheguei ao meu limite, coisa que muitos acharam que eu não tinha.
Quantas vezes
esperei calada que aquela tal pessoa me viesse falar porque estando perto
saberia que estava a precisar! Quantas vezes esperei que me surpreendessem com
um simples sorriso como eu sempre fiz quando senti que faria diferença! E
quantas vezes andei atrás de quem gostava só porque esse alguém era
indispensável para mim! Queria um sorriso, tinha de ser eu a ir atrás, queria
um abraço, tinha de ser eu a procurar, queria falar tinha de ser eu a ir atrás,
para depois, ver o virar de costas de todas essas pessoas que supostamente me
queriam bem, para vê-las deixarem de estar onde disseram que iam estar, para me
tratarem como lixo e fazerem de mim uma fulana qualquer, para terem atitudes
que nunca perdoarei e ainda acharem que têm razão, para ouvir coisas que me
ficam entaladas para a vida, para ver atirarem-me à cara coisas que nunca fui,
coisas que nunca pensei ouvir, para perceber que afinal, as coisas nunca foram
como eu pensei, que afinal, eu continuei sim, muito inocente, por acreditar que
afinal ainda haviam sentimentos verdadeiros, por acreditar que as pessoas
podiam ser realmente belas como pareciam, para acreditar piamente que eu era
uma sortuda por ter encontrado pessoas tão puras, tão verdadeiras, tão
diferentes.
Cega eu hein?
Vinham logo ter a mim, as melhores pessoas, e eu inocente, acreditei!
Pois agora
deixei de acreditar, deixei de esperar. Cansei de ser aquela que podem contar
quando precisarem, que engole toda e qualquer magoa só para poder estar perto,
aquela que sempre que procuram encontram e que quando não precisam fazem de
conta que nem existe, aquela que dizem valorizar mas não valorizam, aquela que
dizem gostar mas não mostram gostar.
Eu sou mais que
isso, muito mais, e se alguém quiser alguma coisa de mim, por mais pequena que
seja, terá de mostrar merecer, porque de minha parte, acabou-se o stock de
paciência e de vontade.
Eu não vou
continuar a sentir-te toda partida por dentro por culpa de quem gosto e mesmo
assim, continuar atrás dessas pessoas, só porque quem mais me magoa, ser ao
mesmo tempo quem também me faz sorrir. Mas vistas bem as coisas, entre
fazerem-me sorrir para logo a seguir fazerem-me sentir um caco, prefiro parar.
E é assim que
vai ser agora, o meu ano novo, a minha vida nova, num desprezo absoluto por
fora por quem me fez sofrer, frieza dura e crua por quem me cravou facas no
peito, desconfiança por quem acreditei de mais sem que isso fosse notado.
Se houver
alguém que queira algo de mim, que goste realmente como diz, se há alguém que
veja o quanto não valorizou e o quanto me fez mal, então que mostre, que venha,
que tente. Porque de minha parte, prefiro morrer por dentro sozinha com a dor
de já não ter, do que continuar a ter sorriso a torto e a direito num dia, e
lágrimas logo no dia seguinte por culpa de quem me fez sorrir anteriormente.
Eu não sou um
animal, não sou um saco de pancada, e se até agora deixei que me vissem assim,
isso agora mudou. Animais há muito na selva e sacos podem comprar nas lojas, eu
sou um ser humano, com coisas muito más e algumas melhores um pouco, se não
sabem valorizar o que eu tenho nem o que eu sou, se não gostam realmente e
apenas iludem, se fazem questão de magoar e de pisar, de não vêem o quanto
magoaram alguém que quando gosta, gosta mesmo, então essa pessoa desaparece, ou
melhor, desapareceu…
Não vou
continuar à espera de receber o que julgo merecer. Se estive perto no pior dos
outros e os outros não são capazes de estar no meu pior, então danem-se. Se dou
valor e confio e as pessoas dão provas que estou errada nessa confiança, então
acaba-se a confiança.
Eu sou mais do
que aquilo que fizeram de mim até agora, e se não foram capazes de o ver e nem
de o cuidar, pois bem, eu protejo e cuido sozinha, e aí de quem ouse tentar
pisar outra vez, porque como diz aquela frase “eu sou como o vidro, se cair
quebro mas também posso cortar”.
E é isso, nesta
vida nova, antes sozinha do que com quem não sabe valorizar, antes cautelosa do
que desprevenida. Não confio, não corro atrás nem tento. Não falo, não
acredito, não espero. Posso precisar muito, posso derreter por dentro, posso
desejar com a própria vida, mas fora, continuarei a ser o que tenho sido,
indiferente, como foram comigo tempo de mais.
Não vou
continuar a ser vista por olhos cegos (se é que me entendem), por olhos semi
abertos, pela metade, às prestações, só de vez em quando. Eu sou mais que isso,
mereço mais que isso. Burra fui eu de me ter dado tão fácil, de ter confiado,
de ter deixado que me entrassem no peito da forma que entraram, entregando a
minha própria vida nas mãos de quem nunca teve intenção de cuidar como deveria.
Chegou a hora,
finalmente, de ver do que as pessoas são capazes e até onde vai o suposto
gostar sincero. De minha parte, no meu canto fico, serena e na tranquilidade
que preciso e me faz falta. Estou aqui, parada, quieta, à espera de ver o que
me reserva o dito futuro, de ver se as pessoas que falaram em sentimentos
reais, sentem realmente, à espera de ver se eu sou de facto importante ou se
não passo de uma chavala que serviu enquanto serviu.
Fizeram-me
sentir uma porcaria por dentro, descrer de tudo e de todos, agora é hora de ver
se desfazem isso ou se simplesmente fazem de conta que não é nada com ninguém e
que eu sou a única responsável.
Espero que
algumas pessoas estejam satisfeitas com o trabalho que conseguiram fazer e por
terem destruído aquela miúda que existia há tempos




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