quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Ano novo, vida (quase) nova



Boas saídas. Boas entradas. Bom ano. Tudo de bom. Entra com o pé direito. Boa sorte. Espero que tudo corra bem. Espero que o próximo seja melhor do que o que passou. Espero que realizes os teus sonhos. Paz, saúde e amor. Blá blá blá = a mesma coisa.
De todas as tretas e fantochadas que ouço a cada nova entrada de novo ano, há uma teoria que desta vez seguirei, ano novo, vida nova.  
Pois é, se até agora ouvi isso vezes sem conta e se até agora disse que ia fazer isto ou aquilo mas por pura covardia não fiz, agora será diferente. E digo-o convicta porque já iniciei o processo de “modificação” antes mesmo de enterrar o velho ano, e contra as minhas próprias expectativas, não me sai mal.
Mas agora, e uma vez que essa parte não correu mal, vou ser um verdadeiro 80. Como toda a gente, tenho o meu 8 e o meu 80, e a verdade é que as pessoas, em grande parte, têm o que cativam, e como essas mesmas pessoas fizeram questão de cativar o meu 80, então agora vai ser assim, 80.
Se já me orgulhava de ouvir os que não me conhecem dizer que sou anti social, que ando de cara fechada, parecendo andar de beiças, se já me enchia o peito ouvir esses que julgam conhecer dizerem que eu não me abro, falarem até em antipatia, então agora veremos essa fulana que falam em acção. A diferença é que eu era sim, tudo isso, apenas com quem não me dizia nada, simplesmente porque uma das lições de vida que aprendi é que não posso tratar todos por igual, porque não são todos iguais, e quem está perto merece um tratamento que os outros não merecem, porque são isso mesmo, os outros.
Mas os que estavam perto cativaram o meu lado antipático, o meu 80, então agora em vez de o mostrar só a uns, vai ser a todos, assim até se torna mais simples e menos selectivo.
Dei várias hipóteses a muita gente de cativar o meu lado menos mau, sim, porque eu também tenho uma lado melhor e outro pior, mas essas pessoas, todas essas pessoas, cativaram o meu pior lado, o lado mais negro de mim, o lado onde não entram sorrisos, falinhas mansas, passar a mão na cabeça, e tretas desse género.
E é por isso, para me proteger de novas ilusões, para não me por a jeito de mais dores, e para não deixar que continuem a brincar comigo e com os meus sentimentos, que a antiga Cláudia ficou enterrada juntamente com o ano velho.
Até pode me doer forte porque infelizmente não deixo de sentir, até posso estar a desesperar por dentro para pedir um gesto, uma atenção, uma palavra, até posso estar a roer-me toda por dentro com vontade de procurar ou pedir, mas por fora, a minha imagem é esta, indiferente, fria, dura, sem papas na língua e sem disposição para levar com mais porcaria em cima.
Se falarem eu falo, se me procurarem eu no que me for permitido dentro lá estarei, se tiver de criticar critico, se tiver de apontar aponto, se me for pedida opinião eu dou, se me pedirem algo que não me faça recuar na palavra achando que merecem eu dou. Mas eu, procurar, pedir, falar, convidar, não, disso já não há mais, o stock findou.
Só eu sei todas as dores que me cravaram dentro por eu amar, por confiar, por esperar, por acreditar. Só eu sei o quanto senti que brincaram, que não deram valor, que tiveram como adquirido. Só eu sei o quanto precisei sem ter, o quanto procurei sem encontrar. Só eu sei as vezes que tive de calar, de engolir, de fazer de conta que não existiu para poder ter mais aquele minuto. Só eu sei a merda que me causaram dentro.
Amigos, colegas, companheiros, amores, conhecidos, para mim passará a ser tudo igual, por fora, para mim não há diferenças porque agora, as minhas palavras serão iguais para todos, curtas, directas e sem dó.
Para que fique bem claro, não estou a falar de uma pessoa em concreto mas sim, de TODAS as que estiveram supostamente perto durante muito ou pouco tempo. Todos ajudaram a que o meu interior dissesse “chega”. Graças às mágoas, às desilusões, ao esperar de mais, eu cheguei ao meu limite, coisa que muitos acharam que eu não tinha.
Quantas vezes esperei calada que aquela tal pessoa me viesse falar porque estando perto saberia que estava a precisar! Quantas vezes esperei que me surpreendessem com um simples sorriso como eu sempre fiz quando senti que faria diferença! E quantas vezes andei atrás de quem gostava só porque esse alguém era indispensável para mim! Queria um sorriso, tinha de ser eu a ir atrás, queria um abraço, tinha de ser eu a procurar, queria falar tinha de ser eu a ir atrás, para depois, ver o virar de costas de todas essas pessoas que supostamente me queriam bem, para vê-las deixarem de estar onde disseram que iam estar, para me tratarem como lixo e fazerem de mim uma fulana qualquer, para terem atitudes que nunca perdoarei e ainda acharem que têm razão, para ouvir coisas que me ficam entaladas para a vida, para ver atirarem-me à cara coisas que nunca fui, coisas que nunca pensei ouvir, para perceber que afinal, as coisas nunca foram como eu pensei, que afinal, eu continuei sim, muito inocente, por acreditar que afinal ainda haviam sentimentos verdadeiros, por acreditar que as pessoas podiam ser realmente belas como pareciam, para acreditar piamente que eu era uma sortuda por ter encontrado pessoas tão puras, tão verdadeiras, tão diferentes.
Cega eu hein? Vinham logo ter a mim, as melhores pessoas, e eu inocente, acreditei!
Pois agora deixei de acreditar, deixei de esperar. Cansei de ser aquela que podem contar quando precisarem, que engole toda e qualquer magoa só para poder estar perto, aquela que sempre que procuram encontram e que quando não precisam fazem de conta que nem existe, aquela que dizem valorizar mas não valorizam, aquela que dizem gostar mas não mostram gostar.
Eu sou mais que isso, muito mais, e se alguém quiser alguma coisa de mim, por mais pequena que seja, terá de mostrar merecer, porque de minha parte, acabou-se o stock de paciência e de vontade.
Eu não vou continuar a sentir-te toda partida por dentro por culpa de quem gosto e mesmo assim, continuar atrás dessas pessoas, só porque quem mais me magoa, ser ao mesmo tempo quem também me faz sorrir. Mas vistas bem as coisas, entre fazerem-me sorrir para logo a seguir fazerem-me sentir um caco, prefiro parar.
E é assim que vai ser agora, o meu ano novo, a minha vida nova, num desprezo absoluto por fora por quem me fez sofrer, frieza dura e crua por quem me cravou facas no peito, desconfiança por quem acreditei de mais sem que isso fosse notado.
Se houver alguém que queira algo de mim, que goste realmente como diz, se há alguém que veja o quanto não valorizou e o quanto me fez mal, então que mostre, que venha, que tente. Porque de minha parte, prefiro morrer por dentro sozinha com a dor de já não ter, do que continuar a ter sorriso a torto e a direito num dia, e lágrimas logo no dia seguinte por culpa de quem me fez sorrir anteriormente.
Eu não sou um animal, não sou um saco de pancada, e se até agora deixei que me vissem assim, isso agora mudou. Animais há muito na selva e sacos podem comprar nas lojas, eu sou um ser humano, com coisas muito más e algumas melhores um pouco, se não sabem valorizar o que eu tenho nem o que eu sou, se não gostam realmente e apenas iludem, se fazem questão de magoar e de pisar, de não vêem o quanto magoaram alguém que quando gosta, gosta mesmo, então essa pessoa desaparece, ou melhor, desapareceu…
Não vou continuar à espera de receber o que julgo merecer. Se estive perto no pior dos outros e os outros não são capazes de estar no meu pior, então danem-se. Se dou valor e confio e as pessoas dão provas que estou errada nessa confiança, então acaba-se a confiança.
Eu sou mais do que aquilo que fizeram de mim até agora, e se não foram capazes de o ver e nem de o cuidar, pois bem, eu protejo e cuido sozinha, e aí de quem ouse tentar pisar outra vez, porque como diz aquela frase “eu sou como o vidro, se cair quebro mas também posso cortar”.
E é isso, nesta vida nova, antes sozinha do que com quem não sabe valorizar, antes cautelosa do que desprevenida. Não confio, não corro atrás nem tento. Não falo, não acredito, não espero. Posso precisar muito, posso derreter por dentro, posso desejar com a própria vida, mas fora, continuarei a ser o que tenho sido, indiferente, como foram comigo tempo de mais.
Não vou continuar a ser vista por olhos cegos (se é que me entendem), por olhos semi abertos, pela metade, às prestações, só de vez em quando. Eu sou mais que isso, mereço mais que isso. Burra fui eu de me ter dado tão fácil, de ter confiado, de ter deixado que me entrassem no peito da forma que entraram, entregando a minha própria vida nas mãos de quem nunca teve intenção de cuidar como deveria.
Chegou a hora, finalmente, de ver do que as pessoas são capazes e até onde vai o suposto gostar sincero. De minha parte, no meu canto fico, serena e na tranquilidade que preciso e me faz falta. Estou aqui, parada, quieta, à espera de ver o que me reserva o dito futuro, de ver se as pessoas que falaram em sentimentos reais, sentem realmente, à espera de ver se eu sou de facto importante ou se não passo de uma chavala que serviu enquanto serviu.
Fizeram-me sentir uma porcaria por dentro, descrer de tudo e de todos, agora é hora de ver se desfazem isso ou se simplesmente fazem de conta que não é nada com ninguém e que eu sou a única responsável.
Espero que algumas pessoas estejam satisfeitas com o trabalho que conseguiram fazer e por terem destruído aquela miúda que existia há tempos

Nenhum comentário:

Postar um comentário