sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

I need more (06 Fevereiro 2011)


Como é desgastante a rotina, o dia-a-dia, tudo igual, dia após dia, noite após noite…
Eu simplesmente não sou como fui, estou farta, cansada de me contentar…
Não melhor que ninguém mas acredito que até hoje, nunca recebi o que realmente mereço, e o que é facto é que me cansei de levar a vida a contentar-me com as migalhas que são deixadas, à espera do que sobra…
Não censuro o mundo, as pessoas, a vida, censuro-me apenas a mim por ter dito amén tantas vezes, por me ter ficado, por me ter contentado assim, por ter visto sempre muito quando era realmente pouco…
Sempre disse que não quero muito, nunca tive grandes sonhos, grandes vontades, nunca sonhei alto como tanta gente… no entanto, nem o meu pouco querer me é concedido e eu, limitei-me até hoje a receber o que me é dado, e fazer do pequeno, a grande alegria… como se eu fosse uma pecadora sem direitos ou merecimentos, e que por isso, recebia como caridade, o que só por si, já não era muito…
Mas a verdade é que toda a gente chega a um ponto em que acha que é pouco, em que precisa de mais… eu preciso de mais, enquanto pessoa, enquanto mulher, enquanto amiga, enquanto tudo… metades já não são suficiente…
Por isso chegeui a esse ponto, de sentir que preciso de mais, de muito mais, porque o pouco, já não me chega…
Nunca tive nada que fosse 100% meu, nada que me pudesse orgulhar de ser meu e só meu, vivi até agora à espera do pouco e a alegrar-me com esse niquinho, mas já não consigo, e acho que ninguém me pode apontar o dedo por sentir que preciso de mais…
Não dá mais, não suporto mais, eu simplesmente preciso de mais, não consigo ter mais metades, porque eu não sou nenhuma metade…
Nunca quis ser o centro das atenções, nunca quis que dessem por mim, nunca pedi muito, aliás, nunca pedi nada, e talvez esse tenha sido o meu grande erro…
Mas sim, neste momento sinto que preciso de ser o centro de atenções de alguém, que preciso de algo só meu, que nõ posso continuar a depender de outros…
Preciso de me sentir amada, senhora do meu nariz, útil…
Não falo em nada em concreto, é bom que se note, não estou a pensar em A ou B, falo muito no geral, muito mesmo…
Quando recordo tudo que já ofereci de mim mesma sem pedir nada em troca, sinto que a vida foi cruel, porque mesmo sem esperar, mesmo sem qualquer interesse, merecia mais!
É injusto ser posta de parte assim, sentir-me tão inútil, sentir que nem muito, nem pouco, nem nada, neste momento é isso: nada.
Porque às primeiras escolhas, em tudo e em todos, eu sou sempre a última escolha, sempre…
E isso para mim já não dá mais, ponto final nisso, já não me basta…
Não quero ser a última escolha, quero sim, ser a primeira e única… se não o for, prefiro então, simplesmente não ser…
Não me quero sentir excluida, não quero sentir “na falta de melhor”, porque me sinto cada vez mais exigente não só comigo, mas com os outros, e quem quiser realmente estar comigo, vai ter que estar porque quer, porque eu sou a escolhida, e não por qualquer outra razão…
Quem me merecer, terá tudo de mim como até aqui, mas quem não me merecer, de mim, já não leva nada, até porque já tenho pouquissimo, e esse pouquinho, não vai ser desperdiçado em vão…
Sei que viverei eternamente à espera de ser a primeira opção, a querer ser a escolhida, se esse dia não chegar, as coisas ficam fechadas cá dentro… porque não faz sentido continuar a colocar do lado de fora coisas que não são entregues a quem não estiver comigo a 100%.
Quem estiver comigo por completo, ter-me-á sempre por completo, na mais fiel e sinceridade maneira do meu ser, quem me quiser por completo, se estiver por completo, pode esperar tudo de mim, quem me der confiança, também a terá de mim, quem me quiser a 100%, também me terá a 100%… eu, sou apenas e só de uma cara, de um corpo, de uma alma… mas esse conjunto, ou é entregue na sua totalidade, ou não é entregue…
Fui sempre muito contida, pouco exigente, nunca quis pedir mais com medo de perder o pouco, sempre me contentei com pouco com receio de o perder, preferi sempre abdicar d que realmente queria e ne fazia falta com medo de que o pouco me fugisse, como se só tivesse aquilo, e que remédio tinha eu… como se só aquilo podia ser meu, ou isso, ou nada…
Quis sempre dar tudo de mim mesmo sem receber nada, estive sempre pronta, até para quem não estava para mim, mesmo quando não era vista, quando ninguém aprecia ver a dor que carregava, escondi sempre a magoa e dor para poder estar mais ou menos bem, tentei sempre disfarçar da forma que me era possivel para poder estar o minimo bem possivel, estive sempre a lutar de dia comigo mesma, e só me descontrolava à noite, luta diária que neste momento, não me faz sentido… não faz sentido deixar de viver, de me por de lado, de tentar esquecer o que dói dia e noite, simplesmente para estar… alguém o faria por mim?! Claro que não!
Entreguei-me por complesto sendo sempre a última opção, e isso para mim, já não tem sentido…
Eu sou mais, muito mais que isso… tenho as minhas coisas estranhas, o meu feitio, os meus stresses, mas sou gente, tenho coração, e mereço muito mais do que me tem sido dado, muito mais…
Familia, amigos, amores perdidos, sejam todos, seja apenas um, de mim não podem é esperar o mesmo de sempre, porque eu não sou o mesmo de sempre… levei tantas chapadas que parece que agora, abri os olhos, e mesmo com toda a dor que isto me dá, mesmo a custar estar assim, mesmo sendo doloroso mudar, mesmo custanto toneladas recusar o pouco que na verdade, sempre me alegrou, a verdade é que não me sinto com capacidade de continuar assim…
Não retiro nada do que disse, tudo que me alegrou, alegrou mesmo, e viveria bem só com esses pequenos pedaços que me eram dados… mas, o futuro está à porta, o amanhã está ai, e sei que as coisas não podem ficar sempre assim… e para mudar, que seja já, enquanto o coração parece não ter mais espaço para mais nenhuma dor, como se estivesse tão carregado que já nada o poderia magoar mais…
Não estou só cansada do que não recebo, estou desiludida, desapontada, com as pessoas, com a vida, com as escolhas, com tudo… neste momento sou uma descrente, não acredito em nada…
Tenho consciência que estou mais dura, mais fria, mais cautelosa, que parece muitas vezes que “estou nem ai”… mas isso é consequência de ter aguentado sem questionar, de ter aguentado sem exigir, de ter aguentado calada, de ter esperado em vão, e estou realmente cansada de não receber nada do que mereço, estou farta de estar, de ser, de querer, estou esgotada e cansada de sentir que não posso esperar nada e mesmo assim estar pronta…
Agora mais que nunca, sou apenas para os outros, exactamente na mesma medida em que são e foram para mim… não posso dar tudo por quem não dá nada, nem dar nada a quem dá tudo… sou simplesmente, o que são para mim, mais não podem esperar…
Exigência era uma palavra desconhecida para mim, mas deixou de ser, preferia que continuasse a ser, mas infelizmente, o meu limite apareceu…
Não posso continuar fixada e aprisionada no simples contentamento… isso não só não é nada saudável, como faz muito mal…
Quero mais, muito mais… mereço mais, muito mais… e quem não estiver à altura de mo dar, também não terá isso de mim…
Não sou perfeita mas sei que ainda tenho muito para dar, sei que posso dar uma vida, sei que posso dar muito de mim, mas não dou, não a quem não merece, e muito menos, a quem não está disposto a dar o mesmo…
Para mim, simplesmente, chega…
Como é que posso amar incondicionalmente uma mãe que me procura apenas quando precisa e se esquece logo no segundo seguinte… um irmão que quando fala comigo é só para me dar na cabeça, para criticar, apontar e tentar deitar a baixo… amigos com quem posso contar apenas quando estão fisicamente, pessoas que ao fim-de-semana, à noite, e noutras distâncias semelhantes simplesmente não estão lá… pessoas que só podem apoiar nas horas em que me vêem… Isto são meros exemplos, nada mais que isso, só para explicar uma parte… o que é facto é que, ou conto com as pessoas sempre, 24 horas por dia, todos os dias, e eles contam comigo, ou simplesmente é melhor não contarmos uns com os outros…
A vida continua mesmo quando não estamos juntos, nas horas de distância se calhar é quando as merdas mais dolorosas acontecem e quando mais se precisa de quem achamos poder procurar… não há pausas, e se precisamos nas horas e que nos vemos, também precisamos nas outras… mas só poder contar em certas alturas, ver se é a hora certa para procurar, para pedir, para sentir apoio, não dá…
Para mim, mais que nunca, é tudo ou nada… estou cansada de sentir este vazio, esta angústia, esta dor…
Imaginemos, se sentir que posso contar com alguém, tem de ser sempre… se quando nos afastamos, é como se estivessemos em mundos diferentes, sem se poder contar, a ter que esperar que novamente nos encontremos para termos o que precisamos, como se não nos conhecessemos, como se cada um fosse à sua vidinha sem querer saber do outro, então não dá…
Eu quero poder contar com as pessoas a 100% ou então não contar, e espero que esperem o mesmo de mim, afinal, não exigo sem cumprir a minha parte, espero apenas, que a parte de outros também seja cumprida, caso contrário, não dá…
Ou se conta sempre, ou não se conta… não dá para se ser durante o dia e não ser à noite, ser à semana e não ser ao fim-de-semana… porque assim, nas alturas mais dificeis, em que realemente se precisa e se vê com quem se pode contar, estamos simplesmente sozinhos, porque não é a hora certa… esperar que se esteja junto para conversar e reconfortar o peito? Isso não faz sentido, precisa-se na hora, não é depois… e as dores, são vividas por nós, sem mais ninguém, sozinhos…
Para mim, ou sou tudo para quem me é tudo, ou não sou nada…
E isto serve para tanto, mas tanto…
Neste momento posso dizer que ninguém está ara mim a 100%, mas eu também não estou para ninguém a 100%, e acredito que muito dificilmente o voltarei a estar… mais uma vez, não falo em concreto, mas no geral…
Meio termo? Eu já não tenho meio termo, cansei-me de ser consciente, de ser certa, de ter tudo no sitio, cansei-me do meu termo…
Tanto ouvi que tinha que olhar por mim, de me valorizar, e de não aceitar menos do que mereço, que pronto, acho que aprendi a lição, da pior maneira, de forma dura, mas aprendi…
Preciso de mais, em relação a tudo… e quem não estiver disposto a isso, sabe onde fica a porta da saida…
As prestações são nos bancos, eu não sou nenhum banco, prestações já não me chegam…

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