sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
Descrença dura e crua (10 de Fevereiro de 2011)
Desde que me conheço, acredito no que vejo, pouco ou nada mais que isso… sei que parece um extremo, mas a minha natureza foi sempre essa… e já lutei contra muito, mas contra a minha natureza não, nem pensar…
Agora, tenho dito que não acredito em nada, que estou descrente de tudo… é irónico não é? É irónica a vida…
Mas, não posso dizer isso! Afinal, se já não acredito, é sinal, neste caso, que acredito no contrário do que um dia acreditei, por isso, não é não acreditar em nada, é apenas, acreditar no inverso…
Às vezes dou por mim a desejar a ignorância e cegueira passada… embora ignorante e inocente, era bem mais completa… um completo para o vazio, mas não de todo…
Neste momento, restam-me recordações, mas não consigo viver apenas com recordações do que já não acredito… não me tem sentido.
Ponho-me a pensar no “não podes descrer de todas as rosas só porque uma te picou”… não posso? Quem disse? Claro que posso… chego à conclusão que é fantochada, nada mais que isso…
Como posso não descrer de todas as rosas quando a única pela qual colocaria as mãos no fogo me picou? Descri de todas menos dessa, e essa, foi a única que me picou…
Basicamente, pus a mão no fogo e queimei-me fortemente…
Descreio sim, de tudo, de todos, de A, B e C, deste e daquele, da rosa e do espinho…
Não sou capaz de fazer tudo que um dia fiz, aquele esforço desastroso de esquecer-me de mim, do que sinto, do que penso, do que quero, do que dói…
Sei que este sentimento de vazio, solidão e dor já se tem arrastado tempo demais, mas também sei que Aida tem muito para durar, e mesmo que abrande, jamais sairão as marcas que foram deixadas…
É injusto, cruel e desanimador relembrar, imaginar, pensar…
O problema nem é tanto não acreditar em nada hoje, é saber que amanha também não serei capaz de voltar a acreditar, e vida sem crença já é meio caminho andado para o tédio, revolta e desanimo, e o outro meio caminho, já percorri faz tempo…
Ou seja, parece-me que finalmente cheguei ao fim da linha, ao fim da minha linha.
Vistas as coisas, não pedi nada a não ser que não me acordassem do meu sonho, que me deixassem continuar a dormir, mas acordaram-me, e com isso, o fim do meu coração mostrou-se acelerado, forte e sem vontade de nada mais.
Estou cansada que tudo me caia em cima, estou farta que me julguem “costas largas”, “ombros fortes”…!
Não me neguem paz, não me podem negar isso também, depois de tudo que dei de mim, sobretudo, depois de não verem todo o bom, e limitarem-se apenas a apontar o mau!
Estou farta, cansada, e descrente, por isso, mais que nunca, quem não estiver bem, que deixe na beira do prato… afinal, já fui deixada lá tantas vezes, quando precisava de tudo menos disso… agora… agora é-me indiferente, estou indiferente com o mundo e com quem habita nele…
Só agora sei o verdadeiro significado de vazio, solidão e perda… neste momento, não tenho mãe, pai, irmão, amigo ou amiga, não tenho sorrisos nem vontades, não tenho sonhos nem desejos, sinto não me ter a mim mesma… sinto-me espectadora da minha própria vida… se é que se pode chamar a isto de vida…
Eu sabia que um dia tudo ia desmoronar, mas nunca se está preparado para esse facto, mesmo quando se sabe ser certo… e como não sou excepção, não estava preparada, e agora, não sei se hei-de conseguir aguentar…
A ver…
Sempre achei que muito se perdia porque as pessoas, no geral e num todo, complicam demais… pois eu não complico, não vou complicar, sinto-me morta por dentro, sem vida, sem alma, sem espírito, é doloroso mas simples, não tem por onde complicar… é como ir ao meu próprio funeral…
A vida pôs à prova muita gente, a maioria não ultrapassou as provas… eu calei-me, aguardei, assisti, vi, e agora sei o que não queria saber, sinto o que não queria sentir, e morri antes de conseguir o que sempre quis e nunca tive…
Será que sou normal? Às vezes dou por mim a tentar perceber a minha própria opinião, perceber se concordo, e porquê! Penso nas coisas, e não consigo perceber se concordo, se não concordo… como essa cena eu disse acima do “podes descrer de todas as rosas só porque uma te picou”… há dias que acho concordar, outros já discordo totalmente… em que fico???
Devo ser realmente louca… embora o diga muitas vezes, tinha algumas dúvidas, mas começaram a dissipar-se aquando da minha morte interior
Sou louca, agora mais que nunca sei, sou literalmente louca
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