Um dia… sim… um dia… o meu coração não chorará mais lágrimas invisíveis para
aqueles que não o cuidaram, os olhos não mostrarão a dor carregada no peito, a
amargura, a revolta… um dia, o meu cansaço extremo deixar-me-á num descanso
completo, pleno, livre, onde nada entra, onde ninguém entra… esse mesmo
descanso não será solitário, não será solidão… solidão é o que carrego comigo
nesta minha curta existência há já tempo demais… um dia, a minha boca
fechar-se-á definitivamente, e o que ontem era, o que hoje é, nesse dia, não
será… um dia… sim… um dia… um dia a luz do dia, o brilho dos olhos há muito
perdido e impossível de recuperar, o sorriso verdadeiro, nada disso será
recordado ou esquecido, será apenas, parte do cenário do que não foi o que não
é, nem dói o que é… um dia, os meus sonhos calar-se-ão num imenso silencio há
muito adivinhado, há muito desejado… um dia, o sol não nascerá, e não, não será
por ser Inverno de Estação, mas Inverno de espírito, numa congelação soberba de
todos os sentidos, de todos os sentimentos…um dia, não chamarei nomes que o
vento faz questão de levar para parte incerta… um dia, não sonharei acordada um
sonho adormecido que tarda mostrar a sua real face… um dia, o desejado, o
amado, o sentido, nada fará sentido, porque eu não existirei mais… um dia, belo
dia esse, em que as mãos não tocam, os olhos não vêem, o peito não ama… um dia,
a ilusão não mais existirá, nem a desistência voltará a parecer covardia… um
dia, o que hoje faz sentido, já não fará, e o inverso, sei que sim… porque um
dia, espero não muito longe, eu serei pura e simplesmente um nada fora, como há
muito sou dentro, sem alma, sem corpo, sem espírito, nada ficará… e a
lembrança, essa também acaba por se esvanecer ao raiar de um novo dia, mais
belo, mais atraente, com mais luz do que toda aquela que eu fui capaz de dar,
até este dia… um dia, a paz vai aparecer, não muito longe, espero e sinto-o, e
esse dia, é o meu único desejo, o meu único sentido de sobreviver mais um dia,
mais uma noite, mais uma rotina tão igual a si mesma, onde o ouro já não reluz
e o sol já não brilha…
E esse dia, sei que vai chegar, essa certeza, sei que posso ter, porque ninguém
se livra desse dia, e eu não me quero livrar, pelo contrário, muito pelo
contrario…
Aí, será a chegada do meu dia, o meu grande dia…
Este foi de todos, o meu texto, o meu real sentir… posso parecer baralhada
ou confusa, mas nunca disse tanto em tão poucas palavras, nunca disse em
palavras, metade do que carrego, penso e sinto, aliás…
“Uma estranha em mim”, poderia ser esse o nome, mas não… desconhecida,
estranha, para mim mesma, há muito que já o sou… no entanto, o meu dia, o dia
do meu reencontro, parece-me bem perto…
6º sentido de mulher e pressentimentos não costumam enganar, pelos menos a
mim… enganada tenho estado eu, durante grande parte da minha vida… comigo
mesma…
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