sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Um dia (texto escrito em 30 de Março de 2011)



Um dia… sim… um dia… o meu coração não chorará mais lágrimas invisíveis para aqueles que não o cuidaram, os olhos não mostrarão a dor carregada no peito, a amargura, a revolta… um dia, o meu cansaço extremo deixar-me-á num descanso completo, pleno, livre, onde nada entra, onde ninguém entra… esse mesmo descanso não será solitário, não será solidão… solidão é o que carrego comigo nesta minha curta existência há já tempo demais… um dia, a minha boca fechar-se-á definitivamente, e o que ontem era, o que hoje é, nesse dia, não será… um dia… sim… um dia… um dia a luz do dia, o brilho dos olhos há muito perdido e impossível de recuperar, o sorriso verdadeiro, nada disso será recordado ou esquecido, será apenas, parte do cenário do que não foi o que não é, nem dói o que é… um dia, os meus sonhos calar-se-ão num imenso silencio há muito adivinhado, há muito desejado… um dia, o sol não nascerá, e não, não será por ser Inverno de Estação, mas Inverno de espírito, numa congelação soberba de todos os sentidos, de todos os sentimentos…um dia, não chamarei nomes que o vento faz questão de levar para parte incerta… um dia, não sonharei acordada um sonho adormecido que tarda mostrar a sua real face… um dia, o desejado, o amado, o sentido, nada fará sentido, porque eu não existirei mais… um dia, belo dia esse, em que as mãos não tocam, os olhos não vêem, o peito não ama… um dia, a ilusão não mais existirá, nem a desistência voltará a parecer covardia… um dia, o que hoje faz sentido, já não fará, e o inverso, sei que sim… porque um dia, espero não muito longe, eu serei pura e simplesmente um nada fora, como há muito sou dentro, sem alma, sem corpo, sem espírito, nada ficará… e a lembrança, essa também acaba por se esvanecer ao raiar de um novo dia, mais belo, mais atraente, com mais luz do que toda aquela que eu fui capaz de dar, até este dia… um dia, a paz vai aparecer, não muito longe, espero e sinto-o, e esse dia, é o meu único desejo, o meu único sentido de sobreviver mais um dia, mais uma noite, mais uma rotina tão igual a si mesma, onde o ouro já não reluz e o sol já não brilha…
E esse dia, sei que vai chegar, essa certeza, sei que posso ter, porque ninguém se livra desse dia, e eu não me quero livrar, pelo contrário, muito pelo contrario…
Aí, será a chegada do meu dia, o meu grande dia…

Este foi de todos, o meu texto, o meu real sentir… posso parecer baralhada ou confusa, mas nunca disse tanto em tão poucas palavras, nunca disse em palavras, metade do que carrego, penso e sinto, aliás…
“Uma estranha em mim”, poderia ser esse o nome, mas não… desconhecida, estranha, para mim mesma, há muito que já o sou… no entanto, o meu dia, o dia do meu reencontro, parece-me bem perto…
6º sentido de mulher e pressentimentos não costumam enganar, pelos menos a mim… enganada tenho estado eu, durante grande parte da minha vida… comigo mesma…

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